FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
Líderes manifestam apoio ao papel da OMS
Publicado:
2020-04-13
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O corpo atua como coordenador global no combate a um inimigo comum, afirmam especialistas
À medida que a pandemia do novo coronavírus continua a se espalhar pelo mundo e já causou pelo menos 100 mil mortes em todo o planeta, autoridades e especialistas têm defendido o fortalecimento do papel da Organização Mundial da Saúde na coordenação dos esforços internacionais para enfrentar a crise global de saúde pública.
Eles também afirmaram que plataformas multilaterais, como o Grupo dos Vinte, poderiam desempenhar um papel ainda mais relevante na coordenação das estratégias e ações dos países para mitigar o impacto da COVID‑19 sobre a economia global.
Ao discursar na Cúpula Extraordinária dos Líderes do G20, em 26 de março, o presidente Xi Jinping enfatizou a necessidade de apoiar as organizações internacionais no combate à pandemia e afirmou que a China apoia a OMS na liderança dos esforços globais para desenvolver medidas de controle epidemiológico baseadas em evidências científicas e minimizar sua disseminação transfronteiriça. Xi também instou todos os membros do G20 a adotarem medidas coletivas, incluindo a redução de tarifas, a eliminação de barreiras e a facilitação do livre fluxo comercial, a fim de unir esforços para restabelecer a confiança na recuperação econômica global.
Um comunicado emitido pela cúpula afirmou que os líderes do G20 “apóiam plenamente e comprometem-se a reforçar ainda mais o mandato da OMS na coordenação da luta internacional contra a pandemia”.
A China tem trabalhado em estreita cooperação com a OMS desde o surto da doença. Xi se reuniu com o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em Pequim no final de janeiro, e os dois trocaram cartas em março. Uma equipe conjunta de especialistas China‑OMS viajou, em fevereiro, para diversas localidades do país, incluindo Wuhan, a cidade então mais atingida.
A China também anunciou uma doação de 20 milhões de dólares à OMS. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que a doação tem por objetivo apoiar a OMS na melhor coordenação da ação internacional contra a epidemia, especialmente ajudando países de pequeno e médio porte, com sistemas de saúde pública frágeis, a fortalecer suas capacidades de prevenção epidemiológica.
Em conversa telefônica na quinta-feira com o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, o conselheiro de Estado e ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, afirmou que a China defende o multilateralismo e apoia a OMS na luta global contra a pandemia.
Wang elogiou os esforços do órgão internacional de saúde na liderança e coordenação da luta global, afirmando que a organização e seu diretor‑geral têm se pautado pela “ciência e objetividade” desde o início do surto.
Sua importante contribuição precisa ser reconhecida pela comunidade internacional, e suas opiniões profissionais devem ser respeitadas por todos os países, afirmou ele, acrescentando que a China elogia o apoio da França à OMS e estabelecerá parceria com a França para preservar a segurança sanitária global.
Mais de 180 países, incluindo a China, co‑patrocinaram uma resolução adotada pela Assembleia Geral da ONU em 2 de abril, que reafirma o compromisso com a cooperação internacional e o multilateralismo, apoia o papel central da ONU na resposta ao surto e convoca todos os países a seguirem as recomendações da OMS e a fortalecerem o compartilhamento de informações. A resolução também enfatiza que a discriminação, o racismo e a xenofobia não serão tolerados.
Diante dessa grave crise de saúde pública global, a OMS poderia e deveria desempenhar seu papel de coordenadora mundial na luta contra o inimigo comum da humanidade, afirmaram especialistas.
Ren Lin, pesquisador sênior do Instituto de Economia e Política Mundiais da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirmou que, com o aprofundamento da pandemia, as organizações internacionais precisam mobilizar mais recursos para enfrentar a crise.
A coordenação por meio de plataformas multilaterais, como a OMS e o G20, ajudará os países em desenvolvimento com sistemas de saúde pública mais precários a reforçar sua capacidade de combater a doença e, ao mesmo tempo, incentiva os países a enfrentarem a pandemia de maneira científica, racional e cooperativa, afirmou Ren.
O governo dos Estados Unidos afirmou que a agência da ONU errou em “todos os aspectos” da pandemia de coronavírus e ameaçou suspender o financiamento. Em resposta, Tedros disse que sua mensagem para o mundo neste momento é de unidade e solidariedade, em vez de politizar o vírus. “Por favor, coloquem em quarentena a politização da COVID‑19. Se queremos vencer, não devemos perder tempo apontando culpados”, declarou ele em uma coletiva de imprensa na semana passada.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em comunicado que “é minha convicção de que a Organização Mundial da Saúde deve ser apoiada, pois é absolutamente fundamental para os esforços globais de vencer a guerra contra a COVID‑19”.
Em sua videoconferência com Tedros, na quarta-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou sua convicção de que “a OMS é fundamental” para responder à crise do coronavírus.
O presidente da Comissão da União Africana, Moussa Mahamat, também afirmou nas redes sociais que a UA apoia plenamente a OMS e o diretor-geral Tedros, e que os países devem concentrar-se em combater conjuntamente o coronavírus como uma comunidade global unida.
Em um comunicado divulgado na quarta-feira, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que também é o atual presidente da União Africana, afirmou que a África reconhece a liderança excepcional de Tedros desde os estágios iniciais da pandemia do novo coronavírus.
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, manifestou seu apoio ao trabalho da OMS durante sua conversa telefônica com Xi na sexta-feira.
Em 6 de abril, 165 personalidades políticas e acadêmicos, entre eles o ex‑primeiro‑ministro britânico Gordon Brown e o ex‑secretário‑geral da Organização de Cooperação de Xangai, Rashid Alimov, publicaram conjuntamente uma carta dirigida aos governos dos países do G20.
“Um problema econômico global exige uma resposta econômica global”, afirmou a carta. “Nosso objetivo deve ser evitar que uma crise de liquidez se transforme em uma crise de solvência e que uma recessão global se converta em uma depressão global.”
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