FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
Trump afirma que sua “autoridade é total” sobre a reabertura da economia
Publicado:
2020-04-14
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que, quando se trata de reabrir a economia, quem “manda” é ele, e não os governadores, e que apoiava o médico Anthony Fauci, um dia após retuitar uma publicação que pedia a demissão do principal especialista em doenças infecciosas do país.
“Quando alguém é presidente dos Estados Unidos, a autoridade é total”, disse Trump em uma coletiva de imprensa da Casa Branca sobre o coronavírus. “Os governadores sabem disso.”
Trump afirmou que será a “decisão mais importante e mais difícil” de sua vida: quando reabrir a economia dos Estados Unidos. Há 43 estados com algum tipo de decreto de lockdown em vigor.
“Com o objetivo de criar conflito e confusão, alguns veículos da chamada ‘mídia falsa’ afirmam que é decisão dos governadores abrir os estados, e não do presidente dos Estados Unidos e do governo federal”, escreveu Trump em dois tuítes na manhã de segunda-feira.
“Que fique absolutamente claro que isso está incorreto. Trata-se de uma decisão do Presidente, e por muitas boas razões”, disse ele no Twitter.
Ele não apresentou detalhes sobre o plano de reabertura e manteve-se ambivalente quanto ao fato de a economia estar aberta em 1º de maio, afirmando que a decisão seria anunciada em breve.
“O presidente dos Estados Unidos é quem dá as ordens”, disse Trump. “Dito isso, vamos trabalhar com os estados.”
Segunda-feira marcou um mês desde que Trump declarou estado de emergência nacional em 13 de março, quando havia menos de 2.000 casos confirmados e 41 mortes decorrentes da pandemia de COVID‑19.
Até a noite de segunda-feira, o número de casos de infecção nos EUA ultrapassou 570 mil, enquanto o número de mortes superou 23 mil.
Para compreender o impacto da pandemia na economia, 701 mil empregos foram eliminados em março, o maior número de perdas desde a recessão da década de 1930, segundo estatísticas oficiais.
A disposição de Trump em reabrir a economia tem gerado tanto apoio quanto alertas de especialistas médicos, executivos empresariais e políticos.
Peter Navarro, assessor de comércio da Casa Branca, alertou na segunda-feira que uma paralisação prolongada poderia ser mais prejudicial aos Estados Unidos do que o próprio vírus.
“É decepcionante que tantos especialistas médicos e comentaristas que se manifestam na imprensa pareçam alheios às perdas humanas muito significativas e aos prejuízos sofridos pelas famílias americanas que podem resultar de um prolongamento do fechamento da economia”, afirmou Navarro, segundo citou o The New York Times nesta segunda-feira.
O Dr. Robert Redfield, diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, afirmou na segunda-feira que espera que a reabertura ocorra “comunidade por comunidade, condado por condado”, mas que os Estados Unidos precisarão primeiro “aumentar substancialmente nossa capacidade de saúde pública para realizar a identificação precoce de casos, o isolamento e o rastreamento de contatos”.
A coletiva de segunda-feira também registrou uma mudança drástica na postura de Trump em relação a Fauci.
“Eu gosto dele”, disse Trump durante a coletiva de imprensa. “Hoje entrei e soube que ia demiti-lo. Não vou demiti-lo. Acho que ele é um cara maravilhoso.”
Ele afirmou que ele e Fauci estavam alinhados “desde o início” quanto ao vírus.
No domingo, Trump retuitou um apelo para demitir Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, que, em entrevista à CNN, afirmou que vidas poderiam ter sido salvas se o país tivesse adotado medidas de isolamento mais cedo durante o surto do novo coronavírus.
Na coletiva de segunda-feira, Fauci afirmou que estava respondendo a uma “pergunta hipotética” na entrevista e deixou claro que Trump o ouviu, assim como outros especialistas médicos que o assessoravam, quando recomendaram medidas de mitigação que incluíam as atuais medidas de distanciamento social, inicialmente adotadas em meados de março e posteriormente prorrogadas até o final deste mês.
A Casa Branca também procurou minimizar o tuíte de Trump, publicado no domingo, que havia alimentado especulações de que ele demitiria o cientista em plena pandemia.
“Essa agitação na mídia é ridícula — o presidente Trump não está demitindo o Dr. Fauci”, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Hogan Gidley, em comunicado nesta segunda-feira.
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