FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
Repressão é defendida na questão da Ucrânia
Publicado:
2022-02-23
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As legítimas preocupações de segurança de qualquer país devem ser respeitadas, afirma o ministro das Relações Exteriores.
A China apelou a todas as partes envolvidas na questão da Ucrânia para que exerçam moderação, evitem quaisquer ações que possam acirrar as tensões e busquem soluções razoáveis para a situação.
O presidente russo, Vladimir Putin, assinou nesta segunda-feira dois decretos reconhecendo a “República Popular de Lugansk” e a “República Popular de Donetsk” como Estados independentes e soberanos. Posteriormente, ele ordenou às forças armadas russas que garantam a paz nos dois “países”.
O Conselheiro de Estado e Ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, conversou por telefone, na terça-feira, com o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken. Wang afirmou que a China está preocupada com a evolução da situação na Ucrânia. A posição da China sobre a questão ucraniana está em conformidade com sua postura, sempre mantida, de que as legítimas preocupações de segurança de qualquer país devem ser respeitadas e os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas devem ser salvaguardados.
A evolução da questão ucraniana até o momento está estreitamente relacionada ao atraso na implementação efetiva dos novos Acordos de Minsk, afirmou ele.
A China continuará a dialogar com todas as partes, com base nos méritos do próprio assunto. A situação na Ucrânia vem se agravando, e a China volta a apelar a todas as partes para que pratiquem a contenção, aliviem a tensão e resolvam as diferenças por meio do diálogo.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou, na segunda-feira, uma reunião de emergência sobre o agravamento da crise na Ucrânia. Zhang Jun, representante permanente da China junto à ONU, afirmou na reunião que “todas as partes envolvidas devem exercer contenção e evitar qualquer ação que possa aumentar as tensões”.
“Saudamos e incentivamos todos os esforços em prol de uma solução diplomática e convocamos todas as partes envolvidas a prosseguir o diálogo e as consultas, buscando soluções razoáveis para atender às preocupações recíprocas, com base na igualdade e no respeito mútuo”, afirmou Zhang.
A situação atual na Ucrânia é resultado de muitos fatores complexos, disse ele.
“Acreditamos que todos os países devem resolver as controvérsias internacionais por meios pacíficos, em conformidade com os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”, disse ele.
O reconhecimento, por parte de Putin, das duas “repúblicas” na segunda-feira suscitou sanções imediatas dos Estados Unidos. Os EUA e seus aliados europeus também estão prestes a anunciar novas e severas sanções contra a Rússia nesta terça-feira, informou a Reuters.
Li Yonghui, pesquisadora de estudos russos na Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirmou que o reconhecimento, por parte da Rússia, das “repúblicas” constitui um passo crucial para dificultar a expansão oriental da OTAN. Segundo ela, é provável que a Rússia e a OTAN venham a enfrentar um confronto militar de longo prazo, e que se instale uma situação de segurança ainda mais tensa na Europa.
Além disso, após uma série de conversas com países ocidentais, a Rússia constatou que esses países provavelmente não enviarão tropas para garantir a segurança da Ucrânia, além de impor sanções econômicas à Rússia, afirmou Li.
A independência das duas regiões significa que os Acordos de Minsk, assinados pela Rússia e pela Ucrânia em 2014 e 2015, tornaram-se meros pedaços de papel, afirmou Li.
“Todas as partes ainda podem precisar voltar à mesa de negociações para lidar com a situação”, disse ela.
Yuri Rogulev, diretor da Fundação Franklin Roosevelt para Estudos dos Estados Unidos na Universidade Estatal de Moscou, afirmou que o atual impasse internacional deverá perdurar por um longo período. Os adversários ocidentais de Moscou e a própria Rússia podem manter a tensão, mas ninguém chegará ao ponto de não retorno, acrescentou.
A Xinhua contribuiu para esta matéria.
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