FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
A China se opõe às sanções por boas razões
Publicado:
2022-03-25
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Um mês após o início da crise na Ucrânia, a China e um número crescente de países com ideias semelhantes, especialmente os países em desenvolvimento, manifestaram sua objeção às sanções unilaterais impostas por países ocidentais liderados pelos Estados Unidos. As razões são claras: tais sanções apenas prolongarão ainda mais a crise, violarão as regras e a ordem internacionais, agravarão as condições de vida das populações e intensificarão a tragédia humanitária, afirmaram autoridades e analistas. Uma das mensagens mais claras contra essas sanções vem do presidente Xi Jinping. Em 18 de março, ele disse ao presidente dos EUA, Joe Biden, que sanções abrangentes e indiscriminadas só levariam sofrimento à população. Se forem ainda mais ampliadas, as sanções poderão desencadear sérias crises na economia global e nos setores de comércio, finanças, energia, alimentos, bem como nas cadeias industriais e de suprimentos, prejudicando ainda mais uma economia mundial já fragilizada e causando perdas irreparáveis, afirmou Xi. “A China sempre se opôs a sanções unilaterais que não têm base no direito internacional nem respaldo do Conselho de Segurança (das Nações Unidas)”, e “impor sanções é como ‘apagar fogo com lenha’, só piorando a situação”, declarou o vice-ministro das Relações Exteriores, Le Yucheng, durante um fórum realizado no sábado. Zhu Jiejin, professor de estudos sobre governança global na Escola de Relações Internacionais e Assuntos Públicos da Universidade Fudan, afirmou: “As sanções recentemente aplicadas estão abalando a atual ordem financeira internacional, ao mesmo tempo em que desferem golpes severos contra a recuperação já precária da economia global em meio à pandemia de COVID‑19.” A decisão de banir parcialmente a Rússia do SWIFT, o sistema global de mensagens para transações financeiras, “na verdade está transformando a globalização em uma ‘arma’ e minando a confiança do mundo no futuro da globalização”, disse Zhu. “Além disso, levar as sanções ao extremo só resultará em consequências ainda mais graves”, acrescentou ele. Em comunicado conjunto divulgado no domingo pelos ministérios das Relações Exteriores da China e da Argélia, referindo-se à crise na Ucrânia, ambos os países manifestaram sua oposição à aplicação indiscriminada de sanções unilaterais sem respaldo do direito internacional. Os dois países também pediram que se evite sabotar as normas internacionais e prejudicar as condições de vida das pessoas em diversos países. Nenhum dos demais membros do BRICS – Brasil, Índia, China e África do Sul – aderiu às sanções contra a Rússia, seu próprio membro. Membros do G20, como o México, também se abstiveram de fazê-lo. Walter Russell Mead, renomado pesquisador do instituto de pensamento Hudson Institute, nos EUA, afirmou que a abordagem básica da China – não apoiar as medidas de Moscou e resistir aos esforços ocidentais para punir a Rússia – “tem conquistado apoio global”. Em artigo publicado na segunda-feira pelo The Wall Street Journal, Mead declarou: “O Ocidente nunca esteve tão unido” e “também raramente esteve tão isolado”. O mais recente episódio das iniciativas punitivas do Ocidente é a proposta da União Europeia de elaborar um quinto pacote de sanções contra a Rússia. O movimento contínuo em direção a novas sanções dificilmente alcançará os objetivos pretendidos pelos países ocidentais, podendo, ao contrário, agravar a inflação global, avaliou Ding Yifan, pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Mundial do Centro de Pesquisa em Desenvolvimento do Conselho de Estado. A crise na Ucrânia está evoluindo de forma a transcender seus próprios limites, com repercussões que afetam todo o mundo, e “o impulso da recuperação econômica global não deve ser interrompido”, afirmou nesta segunda-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Wang Wenbin. Wang destacou a visão amplamente compartilhada de que, ao lidar com questões regionais e internacionais de grande tensão, a guerra e as sanções não são as únicas alternativas; o diálogo e a negociação constituem a saída fundamental. “As pessoas jamais devem ser obrigadas a arcar com o peso dos conflitos geopolíticos e da rivalidade entre grandes potências”, ressaltou ele. “Ao contrário das sanções aplicadas nos últimos anos, desta vez mais países, empresas internacionais, organizações civis e até mesmo organismos internacionais passaram a integrar o grupo dos que impõem sanções. Ao tomarem partido, tentam evitar também ser alvos de sanções”, observou Li Wei, professor da Escola de Estudos Internacionais da Universidade Renmin da China. Embora a China também esteja sendo atingida pelas sanções contra a Rússia, especialmente no comércio bilateral regular, Washington já ameaçou possíveis “consequências” relacionadas ao papel futuro da China nesse contexto, segundo especialistas. Ao ser questionado na quarta-feira sobre o papel da China nas sanções contra a Rússia, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, advertiu que a iniciativa de aplicação das sanções pelo G7 “se aplicará a todas as economias significativas e às decisões que qualquer uma dessas economias tomar para tentar, de forma intencional e ativa, minar ou enfraquecer as sanções”. O embaixador chinês nos EUA, Qin Gang, afirmou no início deste mês que “ameaças contra entidades e empresas chinesas, proferidas por alguns funcionários americanos, são inaceitáveis”. “Nem a guerra nem as sanções podem trazer a paz. Empunhar o bastão das sanções contra empresas chinesas enquanto se busca o apoio e a cooperação da China simplesmente não funcionará”, escreveu Qin em um
Um mês após o início da crise na Ucrânia, a China e um número crescente de países com ideias semelhantes, em especial os países em desenvolvimento, manifestaram sua oposição às sanções unilaterais impostas por países ocidentais liderados pelos Estados Unidos.
As razões são claras: tais sanções apenas prolongarão ainda mais a crise, violarão as normas e a ordem internacionais, agravarão os meios de subsistência da população e intensificarão a tragédia humanitária, disseram autoridades e analistas.
Uma das mensagens claras contra essas sanções vem do presidente Xi Jinping. Em 18 de março, ele afirmou ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que sanções abrangentes e indiscriminadas apenas levariam o povo a sofrer.
Se forem ainda mais agravadas, as sanções poderão desencadear sérias crises na economia e no comércio globais, bem como nos setores financeiro, energético, alimentar e nas cadeias industriais e de suprimentos, paralisando a já debilitada economia mundial e provocando perdas irreparáveis, afirmou Xi.
“A China sempre se opôs a sanções unilaterais que não têm fundamento no direito internacional nem mandato do Conselho de Segurança (das Nações Unidas)”, e “impor sanções é como ‘apagar o fogo com lenha’ e só vai piorar a situação”, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores, Le Yucheng, em um fórum no sábado.
Zhu Jiejin, professor de estudos sobre governança global na Escola de Relações Internacionais e Assuntos Públicos da Universidade Fudan, afirmou: “As sanções recentemente impostas estão abalando a ordem financeira internacional vigente, ao mesmo tempo em que desferem golpes severos sobre a recuperação já fragilizada da economia global em meio à pandemia de COVID‑19.”
A decisão de proibir parcialmente a Rússia do SWIFT, o sistema global de mensagens para transações financeiras, está “na verdade transformando a globalização em uma ‘arma’ e abalando a confiança do mundo no futuro da globalização”, afirmou Zhu.
“Além disso, maximizar as sanções até o limite só resultará em consequências ainda mais extremas”, disse ele.
Uma declaração conjunta emitida no domingo pelos ministérios das Relações Exteriores da China e da Argélia abordou a crise na Ucrânia e afirmou que ambos os países se opõem à aplicação indiscriminada de sanções unilaterais sem o respaldo do direito internacional.
Ambos os países instaram a evitar o desrespeito às normas internacionais e o prejuízo aos meios de subsistência das populações de diversos países.
Nenhum dos demais membros do BRICS — Brasil, Índia, China e África do Sul — aderiu às sanções contra a Rússia, seu próprio membro. Membros do G20, como o México, também se abstiveram de fazê-lo.
Walter Russell Mead, renomado pesquisador do think tank norte-americano Hudson Institute, afirmou que a abordagem básica da China — não endossar as medidas de Moscou e resistir aos esforços ocidentais para punir a Rússia — “tem conquistado apoio global”.
Em um artigo publicado no The Wall Street Journal na segunda-feira, Mead afirmou: “O Ocidente nunca esteve tão alinhado”, e “também raramente esteve tão sozinho”.
O mais recente episódio das medidas punitivas adotadas pelo Ocidente é o fato de a União Europeia estar a considerar o seu quinto pacote de sanções contra a Rússia.
O esforço contínuo em prol de mais sanções dificilmente alcançará o que os países ocidentais almejam, mas pode, eventualmente, agravar a inflação global, afirmou Ding Yifan, pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Mundial do Centro de Pesquisa em Desenvolvimento do Conselho de Estado.
A crise na Ucrânia está a evoluir de modo a transcender os seus próprios limites, com repercussões que afetam todo o mundo, e “o impulso da recuperação econômica mundial não deve ser interrompido”, afirmou nesta segunda-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Wang Wenbin.
Wang destacou a opinião amplamente compartilhada de que, ao abordar questões regionais e internacionais candentes, a guerra e as sanções não são as únicas alternativas, sendo o diálogo e a negociação a saída fundamental. “As populações jamais devem ser obrigadas a arcar com o peso dos conflitos geopolíticos e da rivalidade entre grandes potências”, afirmou.
“Ao contrário das sanções aplicadas nos últimos anos, desta vez mais países, empresas internacionais, organizações da sociedade civil e até mesmo organizações internacionais uniram-se ao grupo dos que impõem sanções. Ao tomarem partido, buscam evitar também ser alvos de sanções”, afirmou Li Wei, professor da Escola de Estudos Internacionais da Universidade Renmin da China.
Embora a China também esteja sendo afetada pelas sanções contra a Rússia em áreas como o comércio bilateral regular, Washington já ameaçou com possíveis “consequências” quanto ao futuro papel da China nas sanções, observaram especialistas.
Ao ser questionado na quarta-feira sobre o papel da China nas sanções contra a Rússia, o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, alertou que a iniciativa de aplicação das sanções pelo G7 “se aplicará a todas as economias de relevância e às decisões que quaisquer dessas economias tomarem para tentar, de forma intencional e ativa, minar ou enfraquecer as sanções”.
O embaixador da China nos Estados Unidos, Qin Gang, afirmou no início deste mês que “as ameaças contra entidades e empresas chinesas, proferidas por alguns autoridades norte-americanas, são inaceitáveis”.
“Nem a guerra nem as sanções podem trazer a paz. Empunhar o bastão das sanções contra empresas chinesas enquanto se busca o apoio e a cooperação da China simplesmente não funcionará”, escreveu Qin em um artigo de opinião assinado publicado no The Washington Post em 15 de março.
Wang Peng, pesquisador do Instituto de Governança Estatal da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, afirmou: “Os EUA preferem recorrer abusivamente às sanções ao lidar com outros países, mas a China não aceitará isso.”
Washington não tem, de modo geral, flexibilizado as restrições que impôs à China desde 2018, e sua política de contenção da China não registrou mudanças significativas, exceto pelo aprofundamento em temas como a segurança na região Ásia‑Pacífico e a questão de Taiwan, observou Wang.
“Não haverá problema se Washington se sentar à mesa com a China para discutir um tema baseado no respeito mútuo e em pé de igualdade. E a China não se deixará intimidar por quaisquer ameaças ou intimidações que revelem a hipocrisia e a falta de confiança dos Estados Unidos”, disse Wang.
Ao longo dos últimos anos, a China também tem sido uma das principais vítimas das sanções unilaterais de Washington, e as empresas chinesas, em especial do setor de alta tecnologia, têm sofrido perdas significativas.
“Os fatos mostram que a imposição de tais sanções prejudicará ambos os lados, e os EUA não obtiveram nenhum benefício significativo delas”, afirmou Tao Wenzhao, pesquisador do Instituto de Estudos Americanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais.
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