FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
O papel da China no apoio à recuperação global ganha destaque
Publicado:
2020-05-27
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Os planos da China para o seu desenvolvimento social e econômico, bem como as medidas que poderão impulsionar a economia global, serão acompanhados com grande atenção, tendo em vista o impacto generalizado da pandemia de coronavírus, segundo analistas internacionais.
O primeiro-ministro Li Keqiang apresentou, na sexta-feira, o Relatório de Trabalho do Governo na abertura da terceira sessão da 13ª Assembleia Popular Nacional, a principal instância legislativa da China, em Pequim. Ele anunciou uma série de medidas para reforçar a economia, embora sem estabelecer uma meta de crescimento econômico para este ano.
Shada Islam, diretora de Europa e Geopolítica do Friends of Europe, um think tank sediado em Bruxelas, afirmou que o relatório transmite mensagens importantes sobre as prioridades nacionais da China, bem como sobre iniciativas que terão repercussões internacionais, num momento em que os países se esforçam para reconstruir a economia global.
Diante da necessidade urgente de uma recuperação sustentada, Islam afirmou que a China assumiu três compromissos-chave que “terão repercussões internacionais”.
O compromisso de Pequim de intensificar a utilização de capital estrangeiro promoverá um ambiente favorável no qual todas as empresas — chinesas e estrangeiras — sejam tratadas em pé de igualdade, afirmou Islam.
O segundo, disse Islam, diz respeito a um enfoque no desenvolvimento de alta qualidade na busca conjunta pela Iniciativa do Cinturão e da Rota. Os países podem compartilhar o crescimento por meio da colaboração, ao mesmo tempo em que respeitam os princípios de mercado e as normas internacionais.
A China também se comprometeu a promover a liberalização do comércio, salvaguardar o sistema multilateral de comércio e participar ativamente da reforma da Organização Mundial do Comércio, o que será “significativo, dado o estado enfraquecido da OMC, a falta de liderança dos Estados Unidos e os esforços de alguns outros atores-chave para reformar a organização”, afirmou Islam.
Jane Golley, professora da Universidade Nacional da Austrália, afirmou que as medidas de abertura delineadas no relatório do governo são “uma clara indicação de que a China deseja permanecer aberta aos negócios com o restante do mundo”.
“Os países que aderiram à Iniciativa do Cinturão e da Rota encontrar-se-ão na melhor posição para atrair volumes de capital chinês que tendem a diminuir, enquanto os Estados Unidos deverão ser os maiores beneficiários no comércio, à medida que a China busca implementar o acordo da primeira fase”, afirmou Golley.
Ela afirmou que o compromisso de Pequim de “defender resolutamente” o sistema multilateral de comércio e de participar ativamente da reforma da OMC contrasta nitidamente com a retórica proveniente de Washington, que desdenha as instituições globais.
Dennis Munene, assessor sênior de políticas do Africa Policy Institute, afirmou que o relatório de trabalho evidenciou a importância de contar com planos e iniciativas estratégicos que articulem a agenda do governo com a população, e que a experiência da China é digna de ser adotada pela África.
“O desenvolvimento e o crescimento bem-sucedidos da China são, simplesmente, um reflexo de seus objetivos e estratégias de curto e longo prazo, que a liderança prioriza para assegurar melhores padrões de vida à sua população”, afirmou Munene, acrescentando que os Estados africanos precisam adotar tais estratégias.
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