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OMS cria mecanismo de financiamento para doações públicas


Publicado:

2020-05-28

Autor:

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. [Foto/Agências]

Uma base financeira mais ampla permitirá que a organização expanda suas atividades.

A Organização Mundial da Saúde, ou OMS, anunciou nesta quarta-feira a criação da Fundação da OMS, destinada a ampliar a base de doadores e a flexibilidade de seus recursos.

A fundação sediada em Genebra será uma entidade independente de concessão de subsídios, destinada a apoiar os esforços da OMS para enfrentar os desafios mais prementes da saúde global. Ela atenderá às necessidades de saúde pública mundial ao disponibilizar recursos à OMS e a parceiros implementadores confiáveis, contribuindo para a concretização das metas “três bilhões” da organização, segundo informou a entidade.

Incluídos no plano estratégico quinquenal da OMS, os objetivos visam proteger 1 bilhão de pessoas contra emergências sanitárias; estender a cobertura universal de saúde a 1 bilhão de pessoas; e garantir vidas saudáveis e bem‑estar a 1 bilhão de pessoas até 2023.

A ideia de criar tal fundação foi inicialmente sugerida por um membro da equipe, com o objetivo de captar recursos para a OMS junto a fontes até então não exploradas, incluindo o público em geral. Até o momento, a OMS tem sido uma das poucas organizações internacionais que não recebe doações do público em geral.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que uma das maiores ameaças ao sucesso da organização é o fato de que menos de 20% do seu orçamento provém de contribuições obrigatórias e flexíveis dos Estados-membros, enquanto mais de 80% são contribuições voluntárias, geralmente vinculadas a programas específicos.

“Na prática, isso significa que a OMS tem pouca margem de manobra quanto à forma como utiliza seus recursos”, disse ele em uma conferência de imprensa virtual realizada em Genebra.

A organização tem se empenhado intensamente para incentivar os Estados‑membros a aumentarem a parcela de recursos flexíveis que lhe destinam. “Somos muito gratos aos países que, nos últimos anos, nos concederam maior flexibilidade”, afirmou.

“Mas, para que a OMS cumpra sua missão e seu mandato, é evidente a necessidade de ampliar nossa base de doadores e de melhorar tanto a quantidade quanto a qualidade dos recursos que recebemos — o que implica maior flexibilidade”,

Em uma carta enviada a Tedros no início da semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou cortar permanentemente o financiamento norte-americano à OMS e até mesmo retirar os EUA da organização caso esta não promova melhorias substanciais em 30 dias. Trump atribuiu à OMS a má gestão da pandemia de COVID‑19, medida amplamente interpretada como um desvio das críticas aos fracassos internos do governo dos EUA na resposta adequada ao vírus.

“A OMS merece um defensor externo forte, independente e imparcial, capaz de apoiar e reforçar seu impacto”, afirmou Thomas Zeltner, fundador da Fundação OMS e ex‑secretário de Saúde da Suíça, além de diretor‑geral da Autoridade Nacional de Saúde da Suíça.

Devido à pandemia de COVID‑19, a fundação concentrar-se-á inicialmente em situações de emergência e na resposta à pandemia.

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