FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
OMS retoma ensaio clínico com hidroxicloroquina após questionamento sobre “ameaça”
Publicado:
2020-06-04
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A Organização Mundial da Saúde, ou OMS, afirmou nesta quarta-feira que retomará os ensaios do medicamento antimalárico hidroxicloroquina como possível tratamento para a COVID‑19, após ter anunciado anteriormente uma pausa temporária no início da semana passada.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o grupo executivo do programa do Estudo de Solidariedade decidiu adotar uma pausa temporária na semana passada devido a preocupações levantadas quanto à segurança do medicamento. A decisão foi tomada como medida de precaução enquanto os dados de segurança eram avaliados, o que já foi realizado pelo Comitê de Segurança e Monitoramento de Dados do estudo.
“Com base nos dados de mortalidade disponíveis, os membros do comitê recomendaram que não há motivos para modificar o protocolo do ensaio”, afirmou Tedros em uma conferência de imprensa virtual realizada em Genebra.
“O grupo executivo recebeu esta recomendação e aprovou a continuidade de todas as modalidades do Estudo Solidariedade, incluindo a hidroxicloroquina.”
Ele afirmou que o grupo executivo entrará em contato com os investigadores principais do ensaio a respeito da retomada do braço do estudo envolvendo a hidroxicloroquina.
O anúncio da OMS sobre a suspensão temporária, feito em 25 de maio, ocorreu após um artigo publicado na revista médica The Lancet ter mostrado que pessoas que tomavam hidroxicloroquina apresentavam maior risco de morte e de problemas cardíacos do que aquelas que não o faziam.
O medicamento tem estado em destaque após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tê-lo promovido publicamente em diversas ocasiões. Há algumas semanas, Trump afirmou que o estava tomando como medida de precaução, mas, na semana passada, disse que já havia interrompido o uso.
Os artigos da revista The Lancet revelaram-se, agora, problemáticos. Uma reportagem publicada na terça-feira no site ScienceMag.org afirmou que os resultados da The Lancet começaram a ser desmontados e que a Surgisphere, que forneceu dados de pacientes para outros dois artigos de grande repercussão sobre a COVID‑19, tem sido alvo de severa análise online por parte de pesquisadores e investigadores amadores.
Eles apontaram diversos indícios de irregularidades no artigo publicado na revista The Lancet, incluindo o número de pacientes envolvidos e detalhes sobre suas características demográficas e as doses prescritas, que parecem pouco plausíveis.
“Começou a esticar, a esticar e a esticar a credulidade”, disse Nicholas White, pesquisador de malária na Universidade Mahidol, em Banguecoque.
Na quarta-feira, Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, afirmou que espera que o ensaio em curso seja mantido até obter respostas definitivas sobre sua eficácia.
“Isso só pode ser feito por meio de ensaios randomizados bem conduzidos”, disse ela.
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