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Xi: China e UE devem elevar as relações a um nível mais alto


Publicado:

2020-06-24

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O presidente Xi Jinping (no topo) conversa, de Pequim, com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel (acima à esquerda), e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em uma videoconferência na segunda-feira. WANG YE/XINHUA

Ele diz à nova equipe de liderança europeia que as duas partes devem preservar a paz e a estabilidade globais.

A primeira reunião oficial, recém‑concluída, entre os líderes chineses e a nova liderança da União Europeia, realizada por videoconferência, demonstrou o compromisso dos dois principais atores globais de apoiarem‑se mutuamente na defesa do multilateralismo e de uma economia aberta, em prol da paz e do desenvolvimento mundiais, segundo afirmaram autoridades e especialistas.

Na reunião virtual com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na segunda-feira, o presidente Xi Jinping pediu que a China e a UE construam uma relação mais estável e madura na era pós‑COVID‑19 e elevem seus laços a um novo patamar.

Ao afirmar que a China é “um parceiro, e não uma rivalidade” para a UE, Xi disse que não há conflito de interesses fundamentais entre a China e a UE, e que a cooperação supera em muito a competição, assim como o consenso prevalece sobre as divergências.

Ele sublinhou a necessidade de que a China e a UE atuem como dois grandes atores na manutenção da paz e da estabilidade globais, como dois grandes mercados para promover a prosperidade e o desenvolvimento mundiais, e como duas grandes civilizações que defendam o multilateralismo e aprimorem a governança global.

Antes da reunião, o primeiro-ministro Li Keqiang copresidiu, por videoconferência, a 22ª reunião de líderes entre a China e a União Europeia, ao lado de Michel e von der Leyen.

A reunião de líderes entre a China e a União Europeia contou com uma agenda abrangente, que abordou as relações bilaterais, questões regionais e internacionais, a pandemia de COVID‑19 e a recuperação econômica.

Wang Lutong, diretor-geral do Departamento de Assuntos Europeus do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que a reunião resultou em uma série de importantes consensos entre os líderes da China e da UE, que “demonstram plenamente o caráter estratégico, abrangente e mutuamente benéfico da relação China‑UE”.

Como um dos resultados mais importantes da reunião, os líderes da China e da UE concordaram em concluir as negociações de um acordo bilateral de investimento “abrangente, equilibrado e de alto nível” ainda este ano, afirmou Wang, acrescentando que as duas partes já realizaram 29 rodadas de negociações sobre o acordo e que foram alcançados progressos substanciais.

“Prevê-se que realizemos a 30ª rodada de negociações no final de junho”, disse Wang. “Quando afirmamos que concluiremos o processo ainda este ano, cumpriremos o compromisso.”

Ambos concordaram em assinar, num futuro próximo, o Acordo China‑UE sobre Indicações Geográficas, afirmou ele. Também chegaram a um consenso quanto à defesa do multilateralismo e do livre comércio, ao repúdio ao unilateralismo e ao protecionismo, bem como à promoção conjunta da recuperação econômica global e à garantia da estabilidade das cadeias industriais e de suprimentos mundiais.

A UE foi o maior parceiro comercial da China no ano passado, enquanto a China foi o segundo maior parceiro comercial da UE. No entanto, a Associação das Nações do Sudeste Asiático ultrapassou a UE como o maior parceiro comercial da China nos primeiros três meses deste ano, à medida que a pandemia de COVID‑19 abalou severamente o comércio global.

Um comunicado de imprensa emitido pela UE após a reunião descreveu a relação entre a China e a UE como uma “parceria complexa e vital”. Ao abordar as relações entre a UE e a China, Michel afirmou que a interdependência econômica entre as duas partes é elevada e que “devemos trabalhar em conjunto diante de desafios globais, como a ação climática, o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas ou o enfrentamento da COVID‑19.”

“Envolver-se e cooperar com a China é ao mesmo tempo uma oportunidade e uma necessidade”, afirmou Michel, segundo reportagens da mídia.

Von der Leyen, ao discursar em uma coletiva de imprensa após a reunião em Bruxelas na segunda-feira, afirmou que “não é possível moldar o mundo de amanhã sem uma parceria forte entre a UE e a China”. Ela acrescentou que chegou a hora de acelerar nas áreas extremamente cruciais da relação.

Especialistas afirmaram que as intensas interações entre a China e a União Europeia nos meses transcorridos desde o início do surto do novo coronavírus têm transmitido a mensagem de que a cooperação continua a ser o princípio norteador das suas relações, apesar das diferenças.

Fraser Cameron, diretor do Centro UE-Ásia, afirmou que a reunião constituiu uma boa oportunidade para a nova equipe de liderança da UE conhecer seus parceiros chineses e manter um diálogo franco e aberto sobre numerosas áreas de convergência, como a questão nuclear iraniana e as mudanças climáticas, bem como sobre pontos de divergência, tais como o acesso ao mercado e os subsídios industriais.

“Se a parceria estratégica vier a dar frutos, será importante acompanhar e alcançar resultados concretos, especialmente no plano comercial”, disse Cameron.

Lin Gai, secretário-geral do Grupo de Amizade UE-China no Parlamento Europeu, observou que a COVID‑19 prejudicou a economia de muitos países.

“A UE e a China precisam uma da outra mais do que nunca, especialmente nos setores de assistência médica, ciências biológicas, big data, inteligência artificial, comércio de alimentos e commodities, turismo, cultura e outros campos”, afirmou ele.

“Uma relação de cooperação mais profunda, mais ampla, mais científica e mais eficaz ajudará ambas as partes a retomar o desenvolvimento econômico no período pós‑epidemia”, afirmou ele.

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