FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
O iuan se fortalece enquanto as ações chinesas mantêm um rali robusto
Publicado:
2020-07-08
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Investidores globais vêm, de forma contínua, apostando na alta do mercado acionário da China, que levou o renminbi ao patamar mais elevado em vários meses e reforçou as expectativas de que a recuperação econômica registrada anteriormente no país sustentaria o sentimento otimista do mercado, segundo analistas.
As ações chinesas ampliaram seu rali nesta terça-feira, com o índice CSI 300, que reúne ações listadas em Xangai e Shenzhen, avançando 2% nos primeiros negócios, embora o ganho tenha desacelerado para 0,6% no fechamento. Na segunda-feira, o índice disparou 5,67%, registrando sua maior alta diária em cinco anos.
O Banco Popular da China, o banco central, fixou a paridade central da taxa de câmbio do renminbi em relação ao dólar norte-americano — ou referência diária de negociação — em 7,0310 na terça-feira, alta de 353 pontos em relação à segunda-feira, a maior apreciação diária desde 9 de abril. Já o yuan offshore se valorizou além de 7 por dólar pela primeira vez desde março.
O enorme fluxo de “capital em direção ao norte”, que migrou do exterior para o continente por meio dos programas de conexão de mercados de capitais onshore e offshore, indicou que investidores globais estão comprando ações chinesas. O movimento de alta gerou uma forte demanda pelo renminbi e reforçou sua valorização, afirmou Guan Tao, economista-chefe global da BOC International (China) Co Ltd, ao China Daily.
De acordo com a Wind Info, uma plataforma chinesa de dados financeiros, os fluxos líquidos de capital norte‑americano totalizaram 53,8 bilhões de yuans (7,66 bilhões de dólares) nos quatro dias úteis consecutivos que se encerraram na terça-feira.
“Basicamente, as ações e a moeda em alta são sustentadas por uma perspectiva otimista quanto aos fundamentos econômicos da China, à medida que as infecções domésticas por COVID‑19 foram amplamente controladas e o mais recente Índice de Gerentes de Compras revelou uma forte recuperação”, afirmou Guan, que também é ex‑alto funcionário da Administração Estatal de Câmbio, o órgão regulador cambial do país.
Para mitigar o impacto econômico da COVID‑19, os bancos centrais de todo o mundo inundaram os mercados financeiros com ampla liquidez, o que tem elevado os preços dos ativos, especialmente no mercado acionário, segundo analistas.
Diferentemente do rali do mercado de capitais ocorrido há cinco anos, os investidores institucionais mantêm hoje carteiras mais prudentes; ainda assim, precisam se proteger contra volatilidades inesperadas caso os preços dos ativos subam demasiado rapidamente ou em caso de uma segunda onda da pandemia, acrescentou Guan.
A recente volatilidade nos mercados financeiros globais, como a queda do índice do dólar, levou a alterações nas reservas cambiais da China, que aumentaram para 3,11 trilhões de dólares no final de junho, um acréscimo de 10,6 bilhões de dólares, ou 0,3%, em relação ao mês anterior, atingindo o nível mais alto desde fevereiro, anunciou a SAFE na terça-feira.
Afetado pela pandemia de COVID‑19 e pelas políticas de estímulo monetário e fiscal adotadas nas principais economias, o índice do dólar norte-americano registrou uma ligeira queda, ao mesmo tempo em que os preços dos ativos nos principais países subiram; esses foram os fatores que levaram ao aumento das reservas cambiais da China em junho, segundo Wang Chunying, porta‑voz da SAFE.
“A situação atual no exterior, em relação à pandemia e à economia mundial, continua sombria e complexa, com crescentes volatilidades nos mercados financeiros globais. A China alcançou importantes resultados na prevenção e no controle da doença, ao mesmo tempo em que acelera a retomada da produção. Diversos indicadores econômicos registraram melhora marginal, e a economia vem se recuperando gradualmente”, afirmou Wang.
A segunda maior economia do mundo manteve-se atrativa para os investidores, apesar do impacto da pandemia, e a China registrou ingressos líquidos em todos os tipos de fundos nos primeiros cinco meses deste ano, segundo pesquisa divulgada na terça-feira pela Fitch Ratings, uma das três maiores agências de classificação de risco do mundo.
Os ativos totais dos fundos mútuos abertos na China, por exemplo, aumentaram 20% no período de janeiro a maio em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando 15,8 trilhões de yuans, impulsionados pela demanda institucional e de varejo, sustentados por uma recuperação econômica mais acelerada e pelo recente crescimento expressivo da oferta monetária, segundo a Fitch.
Globalmente, “o sentimento permanece otimista, apesar das muitas dúvidas quanto às perspectivas econômicas de médio e longo prazos. Talvez tenhamos observado uma recuperação positiva em várias divulgações de dados econômicos nas últimas duas semanas”, afirmou Hussein Sayed, estrategista-chefe de mercado da FXTM, uma plataforma global de negociação de câmbio.
“Há fatores que contribuem para o rali”, disse Sayed. “Com uma quantidade sem precedentes de liquidez no sistema, as ações e os títulos de alto rendimento têm despertado grande interesse dos investidores, diante da ausência de rendimentos aceitáveis nos mercados monetários e nos títulos governamentais de longo prazo.”
“Isso pode continuar a impulsionar os ativos de risco para níveis mais altos, embora as avaliações estejam se aproximando de patamares extremos”, acrescentou Sayed. “Para manter esse rali em vigor, precisamos de mais intervenções por parte dos formuladores de políticas fiscal e monetária e de que os investidores acreditem que as medidas serão suficientemente generosas para garantir mais liquidez.”
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