FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
A OMS enfatiza a importância do rastreamento de contatos para conter a COVID-19
Publicado:
2020-07-21
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A Organização Mundial da Saúde pediu, nesta segunda-feira, o reforço do rastreamento de contatos como um instrumento fundamental para conter a transmissão da COVID‑19, à medida que a pandemia continua a se espalhar rapidamente pelo mundo, inclusive entre os povos indígenas.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, manifestou profunda preocupação com o impacto do novo coronavírus sobre os povos indígenas nas Américas, que continuam a ser o atual epicentro da pandemia.
Mais de 70 mil casos de COVID‑19 foram notificados até 6 de julho entre os povos indígenas das Américas, e mais de 2 mil óbitos, segundo a OMS.
“Uma das principais ferramentas para suprimir a transmissão da COVID‑19 nas comunidades indígenas e em todas as comunidades é o rastreamento de contatos”, afirmou Tedros em uma conferência de imprensa virtual realizada em Genebra.
Ele observou que as medidas de lockdown podem ajudar a reduzir a transmissão da COVID‑19, mas não conseguem interrompê‑la completamente. “Nenhum país consegue controlar sua epidemia se não souber onde o vírus está”, disse ele.
Tedros descreveu o rastreamento de contatos como essencial para identificar e isolar os casos, bem como para localizar e colocar em quarentena seus contatos.
Embora os aplicativos móveis possam apoiar o rastreamento de contatos, Tedros afirmou que nada substitui a presença de profissionais em campo — trabalhadores treinados que vão de porta em porta para identificar casos e contatos e interromper as cadeias de transmissão.
“O rastreamento de contatos é essencial para todos os países, em todas as situações. Ele pode evitar que casos individuais se transformem em surtos e que surtos evoluam para transmissão comunitária”, afirmou, acrescentando que isso é ainda mais crucial à medida que os países vão reabrindo.
Tedros afirmou que o rastreamento de contatos deve fazer parte de um pacote abrangente. “Mas é um dos mais importantes”, disse ele.
O governo dos Estados Unidos tem sido alvo de críticas por ter bloqueado o financiamento destinado ao rastreamento de contatos, aos testes e ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças, também conhecido como CDC.
A Casa Branca busca impedir os planos do Congresso de destinar bilhões de dólares adicionais aos estados para testes e rastreamento da COVID‑19, bem como ao CDC e a outras agências de saúde, informou o Washington Post no domingo.
Os Estados Unidos, com mais de 3,5 milhões de casos e 137 mil mortes por COVID-19, são, de longe, o país mais atingido no mundo.
Os Estados Unidos não dispõem de nenhum programa federal nem de aplicativo móvel para rastrear os contatos de pessoas infectadas com o coronavírus, cabendo essa tarefa às autoridades locais.
A Reuters informou na segunda-feira que a Uber lançou discretamente um serviço para proporcionar aos órgãos de saúde pública acesso rápido a dados sobre motoristas e passageiros que, presume-se, entraram em contato com alguém infectado pela COVID‑19.
Uma revisão recente da Reuters sobre as políticas de rastreamento de contatos adotadas por 32 departamentos de saúde estaduais e locais dos EUA constatou que a maioria não utilizava dados de serviços de transporte por aplicativo para monitorar a disseminação do vírus. Entre os que deixam de recorrer a esses dados estão o Texas e a Flórida, estados que têm registrado um forte aumento no número de novos casos.
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