FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
Medida dos EUA sobre o WeChat coloca empresas em risco
Publicado:
2020-08-17
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Empresas multinacionais manifestam suas preocupações em ligação telefônica à Casa Branca
À medida que a China está prestes a tornar-se, ainda este ano, o maior mercado consumidor do mundo, a ordem executiva do governo dos Estados Unidos contra o WeChat pode levar empresas norte-americanas a abandonar o país, afirmou um ex‑vice‑ministro do Comércio.
“Para um país que se orgulha de uma economia de livre mercado, a recente medida adotada pela administração Trump é inimaginável e prejudicará gravemente os negócios das empresas norte‑americanas na China”, afirmou Wei Jianguo, vice‑presidente do Centro Chinês para Intercâmbios Econômicos Internacionais, em entrevista exclusiva ao China Daily. Wei é ex‑vice‑ministro do Comércio.
“Isso é particularmente imprudente, pois a China deverá tornar-se o maior mercado consumidor do mundo ainda este ano, em razão de sua rápida recuperação da pandemia”, afirmou Wei, acrescentando que esse desenvolvimento tornou o mercado consumidor do país de extrema importância para produtores nacionais e internacionais.
As vendas no varejo na China atingiram 41,2 trilhões de yuans (5,92 trilhões de dólares) no ano passado, e as vendas no varejo recuaram 1,1% em julho na comparação anual, uma redução em relação à queda de 1,8% registrada em junho, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas. A empresa de pesquisa de mercado eMarketer afirmou, em um relatório publicado em junho, que as vendas no varejo nos Estados Unidos deverão cair 10,5%, para 4,89 trilhões de dólares este ano, nível não observado desde 2016.
“Um número considerável de empresas norte-americanas, aliás, está apostando no mercado chinês para salvaguardar seus resultados globais”, disse Wei.
A empresa de calçados Skechers US, por exemplo, registrou uma queda de 42% nas vendas trimestrais em comparação ao mesmo período do ano anterior, mas encontrou algum alívio graças a um crescimento de 11,5% na China.
Mais de uma dúzia de grandes multinacionais norte‑americanas, incluindo a Apple Inc., o Walmart e a Walt Disney Co., manifestaram preocupações, em uma ligação telefônica com autoridades da Casa Branca na terça‑feira, quanto ao alcance e ao impacto potencialmente amplos da ordem executiva do presidente Donald Trump que visa o WeChat, afirmando que ela poderia prejudicar sua competitividade na segunda maior economia do mundo.
O WeChat é um aplicativo amplamente utilizado em todo o mundo, especialmente por chineses, e sua proibição poderia efetivamente interromper grande parte da comunicação informal entre pessoas na China e nos Estados Unidos.
“Para quem não vive na China, é difícil compreender a extensão das implicações caso as empresas americanas não possam utilizá‑la”, afirmou Craig Allen, presidente do Conselho Empresarial EUA‑China, segundo o The Wall Street Journal. “Elas ficarão em grave desvantagem em relação a todos os concorrentes.”
Em uma pesquisa online recente realizada pelo xueqiu.com, 807 mil respondentes afirmaram que se desfariam de seu celular da Apple caso o WeChat precisasse ser removido de seus dispositivos, contra 48 mil que disseram que, em vez disso, removeriam o aplicativo. Segundo o relatório financeiro do primeiro trimestre de 2020 da Tencent, o número de usuários ativos mensais do WeChat ultrapassou 1,2 bilhão.
Wei considerou a mais recente medida do governo dos Estados Unidos contra empresas chinesas de internet como parte de sua campanha de “pressão máxima”, que visa compelir a China a ceder em questões de interesses fundamentais.
“Essas medidas, por outro lado, refletem a imagem dos EUA como uma economia fechada e isolada, um recuo da maior economia do mundo”, disse Wei.
Apesar da pressão do governo dos Estados Unidos, 18.800 empresas de capital estrangeiro foram estabelecidas em toda a China entre janeiro e julho, incluindo 860 empresas norte-americanas, o que justifica a confiança dos investidores globais no mercado. Além disso, o investimento estrangeiro direto proveniente dos EUA continuou a fluir para a China, registrando um aumento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior no primeiro semestre de 2020, segundo o Ministério do Comércio.
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