FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
França, Alemanha e Reino Unido não apoiam os EUA na tentativa de reimpor sanções ao Irã: declaração conjunta
Publicado:
2020-08-21
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LONDRES - França, Alemanha e Reino Unido emitiram, nesta quinta-feira, uma declaração conjunta afirmando que não podem apoiar os Estados Unidos na tentativa de reimpor sanções ao Irã.
Os Estados Unidos enviaram, na quinta-feira, uma carta ao Conselho de Segurança da ONU solicitando a ativação do mecanismo de “snapback”, que permite a um participante do Plano de Ação Conjunto e Abrangente (JCPOA) requerer a reimposição, contra o Irã, das sanções multilaterais levantadas em 2015, nos termos da Resolução 2231, adotada pelo Conselho de Segurança da ONU.
“Os Estados Unidos deixaram de ser parte do JCPOA após sua retirada do acordo em 8 de maio de 2018... Por conseguinte, não podemos apoiar essa medida, que é incompatível com nossos esforços atuais de apoio ao JCPOA”, assinalou o comunicado.
França, Alemanha e Reino Unido afirmaram que “estão comprometidos em preservar os processos e as instituições que constituem a base do multilateralismo. Continuamos guiados pelo objetivo de salvaguardar a autoridade e a integridade do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Convocamos todos os membros do Conselho de Segurança da ONU a absterem-se de qualquer ação que apenas aprofunde as divisões no Conselho ou que acarrete sérias consequências negativas para o seu trabalho.”
Reiterando que permanecem comprometidos com o JCPOA, apesar dos significativos desafios decorrentes da retirada dos EUA, os três países afirmaram que “acreditam que devemos abordar a atual questão do não cumprimento sistemático, por parte do Irã, de suas obrigações no âmbito do JCPOA, por meio do diálogo entre os participantes do JCPOA, inclusive por intermédio da Comissão Conjunta e do uso do Mecanismo de Resolução de Disputas.”
A fim de preservar o acordo, instaram o Irã a “reverter todas as medidas incompatíveis com seus compromissos nucleares e retomar o pleno cumprimento sem demora”.
Os três países também se comprometeram a continuar a trabalhar com todos os membros do Conselho de Segurança da ONU e demais partes interessadas, a fim de buscar um caminho a seguir que preserve espaço para o aprofundamento da diplomacia.
“Nossos esforços serão guiados pela necessidade de preservar a autoridade e a integridade do Conselho de Segurança da ONU e de promover a segurança e a estabilidade regionais”, assinalaram no comunicado.
O JCPOA, também conhecido como o acordo nuclear com o Irã, foi assinado pelo Irã em julho de 2015 com o Reino Unido, a China, a França, a Alemanha, a Rússia e os Estados Unidos. No entanto, os EUA, sob o governo do presidente Donald Trump, retiraram‑se do acordo em 8 de maio de 2018 e reimporam sanções a Teerã, apesar das objeções da comunidade internacional.
Um ano após a saída unilateral dos Estados Unidos, o Irã deixou de cumprir alguns de seus compromissos no âmbito do acordo e estabeleceu um prazo de 60 dias para que os europeus ajudassem a república islâmica a colher os benefícios econômicos do pacto.
Os signatários europeus continuam a apoiar o acordo e comprometeram-se a contornar as sanções dos EUA reimpostas após a retirada deste país.
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