FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
Os laços da China com a Europa fortaleceram-se
Publicado:
2020-09-03
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Wang afirma que cinco países por ele visitados concordaram em reforçar a unidade e opor-se ao “desacoplamento”
A China e cinco países europeus concordaram em reforçar os esforços conjuntos para fortalecer a unidade e opor-se ao “desacoplamento”, a fim de evitar que o mundo volte a cair sob o domínio da “lei da selva”.
Os países lançaram um forte apelo em defesa do multilateralismo, afirmou nesta terça-feira o conselheiro de Estado e ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, em uma coletiva de imprensa conjunta com o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, em Berlim.
Ao pedir que a China e a Europa reforcem seu apoio às instituições multilaterais, Wang afirmou que as duas partes também concordaram em preservar o status geral das relações entre a China e a UE e em gerir adequadamente as diferenças.
Ele afirmou que os países concordaram em reforçar a cooperação entre a China e a Europa no enfrentamento da pandemia de COVID‑19 e em retomar as trocas de pessoal e a cooperação prática, a fim de contribuir para a recuperação econômica global.
A Alemanha foi a etapa final da viagem de oito dias de Wang — após Itália, Países Baixos, Noruega e França —, que, segundo Wang, envolveu uma comunicação estratégica entre a China e os países europeus em meio ao aumento das incertezas.
Os cinco países europeus, que valorizam os laços com a China, estão preocupados com a profunda recessão da economia global provocada pela pandemia, o crescente unilateralismo, as tentativas de “desacoplamento” e o acentuado antagonismo internacional, afirmou ele.
Wang pediu que a China e a Europa planejem cuidadosamente os intercâmbios de alto nível e instou-as a concluir, ainda este ano, as negociações sobre um tratado bilateral de investimento e a assinar, o mais breve possível, um plano estratégico de cooperação bilateral para os próximos cinco anos.
Ambas as partes também devem trabalhar em conjunto de forma firme para promover a cooperação internacional no combate às mudanças climáticas e reforçar a cooperação digital, afirmou Wang.
A China e a Europa possuem vantagens próprias no desenvolvimento de economias digitais e partilham preocupações comuns, afirmou Wang, acrescentando que devem manter‑se firmes na abertura recíproca de seus mercados e promover a elaboração de normas e regras digitais globais.
Em suas conversas com Maas, em Berlim, na terça-feira, Wang afirmou que a China e a Europa são parceiras, não rivais. Ele disse que devem tolerar-se e aprender umas com as outras, contribuindo para trazer mais estabilidade ao mundo, que enfrenta turbulências.
A China e a Alemanha também precisam trabalhar juntas para se opor a uma “nova Guerra Fria”, adotar medidas concretas visando manter o funcionamento fluido da cadeia global de suprimentos e rejeitar o “desacoplamento” e a desglobalização, afirmou Wang.
Maas afirmou, durante as negociações, que o “desacoplamento” não está alinhado com os interesses de ninguém. Ele disse que a Alemanha espera reforçar a cooperação política, econômica e cultural com a China.
Na terça-feira, Wang reuniu-se com o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, que reafirmou a adesão do seu país ao princípio de uma só China e sua posição em favor do multilateralismo nas relações internacionais. Steinmeier afirmou que a Alemanha não deseja que o mundo seja dividido em blocos opostos.
Ding Chun, diretor do Centro de Estudos Europeus da Universidade Fudan, afirmou que a viagem de Wang obteve “resultados encorajadores” num momento em que os Estados Unidos têm adotado o unilateralismo e tentativas de isolar a China.
A viagem contribui para fortalecer os laços entre a China e a Europa, que são importantes para a governança global e para a recuperação da economia mundial, afirmou Ding.
Em uma coletiva de imprensa diária na quarta-feira, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hua Chunying, afirmou que o mundo precisa escolher entre o multilateralismo e o unilateralismo, a abertura e o isolamento, bem como a cooperação e o confronto. Ela destacou que a China e a Europa mantêm um consenso amplo e importante sobre essas questões.
A China espera continuar a trabalhar com a Europa para promover os laços, salvaguardar o multilateralismo e o livre comércio e contribuir para a paz mundial, afirmou Hua.
Cui Hongjian, diretor do Departamento de Estudos Europeus do Instituto Chinês de Estudos Internacionais, afirmou que a China e a Europa são ambas vítimas do unilateralismo e precisam reforçar repetidamente o consenso em torno da cooperação, uma vez que alguns países europeus têm sido pressionados pelos Estados Unidos a “desacoplar-se” da China.
Ao destacar a importância das relações entre a China e a Europa para o comércio global e o multilateralismo, Cui afirmou que a cooperação bilateral também contribuirá para prevenir o “renascimento da Guerra Fria” e para aliviar as tensões entre a China e os Estados Unidos.
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