FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
FMI alerta para riscos elevados à dívida pública global
Publicado:
2024-10-24
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WASHINGTON - O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou nesta quarta-feira para os riscos elevados associados à dívida pública e convocou os formuladores de políticas a implementar ajustes orçamentários duradouros e cuidadosamente concebidos.
“Os déficits estão elevados e a dívida pública global é muito alta, em ascensão e arriscada. Prevê-se que a dívida pública global ultrapasse 100 trilhões de dólares este ano”, afirmou Vitor Gaspar, diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, em uma coletiva de imprensa realizada durante as Atuais Reuniões Anuais de 2024 do FMI e do Grupo Banco Mundial.
“No ritmo atual, a relação dívida global/PIB deverá aproximar-se de 100% até o final da década, superando o pico registrado durante a pandemia”, afirmou Gaspar.
O representante do FMI observou que a dívida pública é mais elevada e deverá crescer mais rapidamente do que antes da pandemia em cerca de um terço dos países. “Isso inclui não apenas as maiores economias, China e Estados Unidos, mas também outros grandes países, como Brasil, França, Itália, África do Sul e Reino Unido, que, em conjunto, representam cerca de 70% do PIB global”, afirmou.
No caso da China, Gaspar afirmou na coletiva de imprensa que o país “dispõe de amplo espaço de política” para conter o crescimento de sua dívida. “Ele possui os meios para manter a dívida pública chinesa sob controle.”
O Monitor Fiscal de outubro de 2024, recém‑publicado, sustenta que os riscos associados à dívida pública estão elevados e que as perspectivas são mais desfavoráveis do que aparentam.
O relatório indica que os níveis futuros da dívida poderiam ser ainda mais elevados do que o projetado e que são necessários ajustes orçamentários muito mais amplos do que os atualmente previstos para estabilizá‑la ou reduzi‑la com alta probabilidade, escreveram Era Dabla‑Norris, diretora‑adjunta do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, e seus colegas, em um blog recente.
O Monitor Fiscal apresenta um novo enquadramento de “dívida em risco”, que relaciona as condições macrofinanceiras e políticas atuais a todo o espectro de possíveis desfechos futuros da dívida, observou o blog.
Na conferência de imprensa, Gaspar afirmou ao público que os planos orçamentários adotados pelos governos são insuficientes para assegurar taxas de dívida pública estáveis ou em declínio com elevado grau de confiança.
“São necessários esforços adicionais. Adiar o ajuste é custoso e arriscado. Empurrar a solução para frente não adianta. O momento de agir é agora”, afirmou Gaspar.
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