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Estados Unidos vetam resolução do Conselho de Segurança que exige cessar-fogo em Gaza


Publicado:

2024-11-21

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NAÇÕES UNIDAS - Os Estados Unidos vetaram nesta quarta-feira um projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU que pedia um cessar-fogo imediato em Gaza, suscitando duras críticas da maioria dos membros da ONU.

O projeto de resolução, apresentado pelos dez membros não permanentes do Conselho, exigia um cessar-fogo imediato, incondicional e permanente, bem como a libertação imediata e incondicional de todos os reféns.

O Conselho de 15 membros votou por 14 a 1 a favor da resolução, e os Estados Unidos exerceram seu veto, na qualidade de membro permanente do Conselho, para impedi-la.

Falando após a votação, Robert Wood, embaixador‑adjunto dos Estados Unidos junto às Nações Unidas, afirmou que Washington deixou claro que só apoiaria uma resolução que previsse expressamente a libertação imediata dos reféns como parte de um cessar‑fogo.

“A resolução teria enviado uma mensagem perigosa ao Hamas de que não havia necessidade de voltar à mesa de negociações”, disse ele.

A decisão dos Estados Unidos de bloquear a resolução suscitou duras críticas da maioria dos membros.

O representante permanente da Rússia junto às Nações Unidas, Vassily Nebenzia, afirmou que é “chocante” que os Estados Unidos tenham vetado uma iniciativa destinada a salvar vidas palestinas e israelenses, embora “não devamos nos surpreender”.

Ele lamentou que, durante meses, os Estados Unidos têm obstruído e colocado-se no caminho da ação do Conselho para enfrentar a situação catastrófica em Gaza, além de ter tomado partido em um dos lados do conflito a fim de promover seus próprios objetivos políticos às custas das vidas palestinas.

“É um dia triste para o Conselho de Segurança, para as Nações Unidas e para a comunidade internacional como um todo”, disse o embaixador argelino, Amar Bendjama, aos membros do conselho.

Já se passaram cinco meses desde a adoção da resolução 2735, período durante o qual o Conselho de Segurança permaneceu inerte e com as mãos atadas, acrescentou, observando que o projeto de resolução estava longe de ser ideal, mas representava “o mínimo indispensável que deveria ter nos unido”.

“A mensagem de hoje é clara para a potência ocupante israelense — vocês podem continuar o vosso genocídio... com total impunidade. Nesta Câmara, gozam de imunidade”, disse Bendjama.

“Para o povo palestino, trata-se de mais uma mensagem clara — enquanto a esmagadora maioria do mundo manifesta solidariedade com a sua causa, outros permanecem indiferentes ao seu sofrimento”, acrescentou.

Majed Bamya, observador permanente adjunto do Estado da Palestina, afirmou que não existe “nenhum direito” ao assassinato em massa de civis, à fome imposta a toda uma população civil, ao seu deslocamento forçado e à anexação.

“É isto que Israel está a fazer em Gaza. Estes são os seus objetivos de guerra. É isto que a ausência de um cessar-fogo lhe permite continuar a fazer”, afirmou, pedindo um cessar-fogo imediato e incondicional na região.

“É profundamente lamentável que, devido ao uso do veto, este Conselho tenha mais uma vez deixado de cumprir a sua responsabilidade de manter a paz e a segurança internacionais”, afirmou a embaixadora de Malta, Vanessa Frazier, após a votação.

“Isso representou o mínimo indispensável para começar a enfrentar a situação desesperadora no terreno”, acrescentou ela.

A embaixadora da Guiana, Carolyn Rodrigues-Birkett, afirmou que o sofrimento dos palestinos deve chegar ao fim, acrescentando que seu país continuará a trabalhar junto aos demais membros do Conselho para tentar alcançar amanhã o que não pôde ser alcançado hoje.

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