FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
Número de mortes de profissionais de saúde em Gaza ultrapassa 1.000
Publicado:
2024-11-26
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Especialistas pedem mais esforços da comunidade internacional para impedir o assassinato de civis
Mais de 1.000 profissionais de saúde em Gaza foram mortos em ataques israelenses desde outubro do ano passado, segundo autoridades locais, enquanto Tel Aviv é acusada de conduzir uma “campanha de extermínio” no norte de Gaza.
Especialistas afirmaram que, agora que foram emitidos mandados de prisão contra autoridades israelenses e do Hamas, a comunidade internacional “deve fazer mais para impedir o assassinato de civis” e os danos à infraestrutura crítica.
Hussam Abu Safia, diretor do Hospital Kamal Adwan em Beit Lahia, que ficou ferido em um ataque israelense no sábado, renovou o apelo por uma intervenção internacional em uma carta publicada em inglês no Telegram, informou a Al Jazeera.
“Após o fracasso do exército ocupante em evacuar o norte, eles passaram a atacar diretamente nosso sistema de saúde… Nos últimos sete dias consecutivos, temos sido alvo de bombardeios diretos”, afirmou Safia, segundo a Al Jazeera.
Os ataques atingiram a recepção do hospital, os serviços de emergência, os geradores de energia, a estação de oxigênio e a rede de abastecimento de água.
Safia também acusou as forças israelenses de utilizarem um novo tipo de arma. “Trata‑se especificamente de um quadricóptero que lança bombas contendo minúsculos fragmentos quase invisíveis a olho nu. Esses projéteis penetram nos corpos de nossos trabalhadores, provocando hemorragias graves e danos aos órgãos internos”, afirmou, acrescentando que as forças israelenses estavam conduzindo uma “campanha de extermínio” no norte de Gaza.
O porta-voz do Exército israelense, Avichay Adraee, publicou no sábado, no X, uma nova ordem de evacuação para alguns quarteirões do bairro de Shejaiya, na Faixa de Gaza, alegando que “organizações terroristas” voltaram a disparar foguetes em direção a Israel nessas áreas.
A operação de Israel em Gaza e no Líbano causou danos generalizados a instalações médicas, canais de distribuição de ajuda e infraestrutura civil, matando e ferindo trabalhadores essenciais nos setores da saúde e do jornalismo.
Além dos 1.000 médicos e enfermeiros mortos, mais de 300 outros profissionais de saúde foram presos, torturados e executados em prisões, segundo uma reportagem da Agência de Notícias WAFA. O conflito em curso já deixou, até o momento, mais de 44.000 palestinos e 1.200 israelenses e estrangeiros mortos.
Hospitais danificados
Ahmad Al-Farra, chefe do departamento de pediatria do Complexo Médico Nasser e diretor do Hospital Al-Tahrir para Crianças e Maternidade, afirmou ao China Daily que quase 35 hospitais e centros médicos foram danificados pelas forças israelenses.
“Eles evacuam o hospital (de funcionários e suprimentos médicos), tentam destruir tudo, até mesmo o gerador, o abastecimento de água e o fornecimento de oxigênio desses hospitais”, disse Al-Farra.
Ele também pediu apoio ao setor de saúde e afirmou que trabalhariam para lançar iniciativas de apoio em plataformas globais, as quais incluiriam organizações de saúde e ativistas da área.
“(Isto é) para protegê-lo das forças israelenses, para estar protegido dos danos que esperamos que continuem”, disse Al-Farra.
Hadi Rahmat Purnama, professor assistente de direito internacional e presidente do Centro de Estudos de Direito Internacional da Faculdade de Direito da Universidade da Indonésia, em Jacarta, afirmou ao China Daily que o alvo contínuo contra profissionais de saúde é “ultrajante”, pois eles “devem ser protegidos durante conflitos armados”, citando as Convenções de Genebra como a base jurídica para a proteção dos profissionais de saúde.
Ele afirmou que Israel “tem realizado ataques indiscriminados contra palestinos, que configuram crimes de guerra”, e que a maioria da comunidade internacional condenou esses ataques israelenses, os quais “não são proporcionais”.
“Os Estados Unidos e os países europeus não fizeram o suficiente para impedir que Israel levasse adiante seu ataque contra os palestinos. As baixas ultrapassam o necessário para enfraquecer o Hamas”, disse Purnama.
Em outro desdobramento, o movimento libanês Hezbollah lançou intensos bombardeios de foguetes contra Israel no domingo, e as forças armadas israelenses informaram que casas foram destruídas ou incendiadas nas proximidades de Tel Aviv após um poderoso ataque aéreo israelense ter matado pelo menos 29 pessoas em Beirute no dia anterior.
Na segunda-feira, o embaixador israelense em Washington, Mike Herzog, afirmou à Rádio do Exército de Israel que um acordo de cessar-fogo para encerrar os combates entre Israel e o Hezbollah poderia ser alcançado “em questão de dias”.
Entre as questões que ainda persistem está a exigência israelense de reservar-se o direito de agir caso o Hezbollah venha a violar as obrigações assumidas no âmbito do acordo em gestação. O acordo visa retirar tanto o Hezbollah quanto as tropas israelenses do sul do Líbano.
Agências contribuíram para esta matéria.
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