FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
Abordagem de Uma Só Saúde é considerada fundamental para o controle de epidemias
Publicado:
2024-11-29
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A implementação da abordagem Uma Só Saúde poderia controlar e prevenir de forma eficaz o crescente número de surtos de doenças zoonóticas na África, que se tornaram uma grave ameaça em todo o continente, afirmam especialistas.
As doenças zoonóticas são doenças infecciosas que se espalham dos animais para os seres humanos.
Mbaabu Mathiu, professor de fisiologia ambiental e etnomedicina, afirmou que, nos últimos dez anos, cerca de 60 epidemias registradas na África foram causadas por doenças zoonóticas.
Desde o início deste ano, o continente tem registrado o maior surto de mpox dos últimos anos, com mais de 13 mil casos confirmados laboratorialmente notificados até meados de novembro, segundo a Organização Mundial da Saúde. Na República Democrática do Congo, um dos países mais atingidos, suspeita-se que a doença zoonótica altamente contagiosa já tenha causado a morte de pelo menos 900 pessoas.
Mathiu afirmou que a abordagem de Saúde Única seria eficaz porque reúne profissionais da medicina veterinária e da medicina humana para realizar a previsão e a vigilância, bem como para preparar-se e responder a epidemias e pandemias.
Trata-se de uma abordagem integrada à saúde que reconhece os estreitos vínculos entre a saúde humana, animal e ambiental e considera como essas dimensões se influenciam mutuamente.
“A saúde humana, a saúde animal e a saúde dos ecossistemas estão interligadas; nenhuma dessas dimensões poderá ser saudável sem a saúde das demais”, afirmou Mathiu. “Microrganismos e doenças são comuns a esses três componentes; por isso, a saúde deve ser abordada de forma holística.”
A União Africana, a OMS e a Organização Mundial da Saúde Animal adotaram a abordagem Uma Só Saúde, inicialmente lançada em 2008 durante uma conferência internacional sobre influenza aviária e pandêmica no Egito.
“O único desafio para sua implementação é que leva tempo para que uma ideia se difunda entre a população em geral e, em especial, entre os profissionais de saúde, até tornar-se parte da política”, disse Mathiu.
Mathiu destacou a necessidade de investir na sensibilização das comunidades locais e na educação do público em geral sobre a degradação ambiental e os surtos de doenças zoonóticas.
Julius Oyugi, diretor de pesquisa do Instituto de Doenças Tropicais e Infecciosas da Universidade de Nairóbi, afirmou que a maioria dos surtos de doenças zoonóticas ocorre na África Central, onde o consumo de carne de caça é muito comum, aumentando assim as chances de as pessoas entrarem em contato com patógenos provenientes de animais.
Os vírus também vêm evoluindo, tornando-se mais adaptáveis à transmissão entre humanos, disse Oyugi.
Para reduzir os surtos, ele enfatizou a necessidade de programas rigorosos de vigilância tanto no nível animal quanto em seres humanos, a fim de identificar casos precocemente antes que se espalhem para a população em geral. Isso deveria ser seguido por rastreamento de contatos e medidas de quarentena, acrescentou.
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