FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
Diálogo e confiança são enfatizados nas relações sino-americanas
Publicado:
2024-12-27
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Cooperação e ampliação do engajamento são necessários para enfrentar os desafios: especialistas
Especialistas norte-americanos comentaram a Conferência Anual de Trabalho Econômico Central da China, destacando as implicações de uma economia chinesa robusta para sua influência global. Eles enfatizaram a importância da cooperação entre os Estados Unidos e a China na abordagem de desafios globais, defendendo a reconstrução da confiança e um diálogo construtivo em múltiplos níveis entre as duas nações.
Em seu discurso na conferência realizada em Pequim no início deste mês, o presidente Xi Jinping resumiu o trabalho econômico de 2024, analisou a situação econômica atual e definiu as diretrizes para o trabalho econômico de 2025.
Os formuladores de políticas presentes na conferência destacaram os fatores negativos acentuados provenientes do ambiente externo e os desafios enfrentados pela economia, reafirmando a necessidade de avançar com um desenvolvimento de alta qualidade, aprofundar de forma abrangente as reformas, ampliar a abertura de alto nível e desenvolver um sistema industrial moderno.
“Tanto os Estados Unidos quanto a China acabarão por sair ganhando se conseguirem reduzir o potencial de conflito e se envolverem mutuamente de maneira muito mais construtiva”, afirmou Denis Simon, pesquisador não residente do Quincy Institute e professor sênior do Instituto de Estudos Asiático-Pacífico da Universidade Duke, ao China Daily.
Simon afirmou que uma economia saudável é crucial não apenas para a estabilidade interna da China, mas também para sua posição no cenário global. “O papel da China no mundo é reforçado por uma economia forte e vibrante e, ao mesmo tempo, por um sistema de inovação dinâmico”, disse ele, mencionando a mudança da China para uma política fiscal mais proativa e para uma política monetária moderadamente expansionista no próximo ano, sinalizada pela conferência de definição de diretrizes.
“As mudanças impulsionarão a economia chinesa e deverão atenuar os comentários negativos da imprensa ocidental”, disse Gary Clyde Hufbauer, pesquisador sênior não residente do Peterson Institute for International Economics.
Simon esperava que a China adotasse medidas para impulsionar a economia e alcançasse “resultados tangíveis” nos próximos seis a doze meses.
Ele enfatizou o potencial de uma relação mutuamente benéfica entre os Estados Unidos e a China. “A narrativa segundo a qual a China estaria tentando substituir os Estados Unidos como líder global simplesmente não é corroborada pelos fatos”, disse Simon.
“Minha esperança é que essas declarações (provenientes da Conferência Anual de Trabalho Econômico Central) sinalizem um ambiente favorável ao investimento por parte das empresas ocidentais”, disse Hufbauer.
No entanto, construir uma relação de cooperação exige superar os obstáculos existentes. Paul Triolo, vice-presidente sênior do Albright Stonebridge Group, enfatizou a necessidade de restabelecer a confiança e ampliar o engajamento para além do nível presidencial.
“O desafio para a nova administração (dos EUA) é reverter a espiral descendente de confiança e abrir espaço para um diálogo significativo”, disse ele ao China Daily.
Triolo mencionou as complexidades do cenário político dos Estados Unidos; enquanto alguns defendem uma abordagem confrontacional em relação à China, outros optam por um maior engajamento, sugerindo mais diálogos em nível ministerial e de trabalho.
Triolo afirmou que a futura administração de Donald Trump provavelmente adotará uma abordagem mais equilibrada em relação à política chinesa, com as vozes de Wall Street e do Vale do Silício ganhando maior influência.
“Trump gosta de ter pessoas de Wall Street ao seu redor porque se preocupa muito com a comunidade empresarial e com o mercado de ações”, disse ele, ressaltando que o presidente eleito Trump é extremamente “transacional” e sempre buscará “um acordo”.
Medidas positivas
Triolo afirmou, porém, que a relação entre os Estados Unidos e a China não pode se concentrar exclusivamente em áreas restritas de convergência. “A China deseja ver uma relação mais ampla”, disse ele, acrescentando que ambos deveriam discutir questões de grande relevância, incluindo temas globais, mudanças climáticas e outros assuntos nos quais a colaboração seja possível.
O recente diálogo entre autoridades dos Estados Unidos e da China, como a reunião do Grupo de Trabalho Econômico EUA‑China, realizada em 16 de dezembro, e a reunião do Grupo de Trabalho Financeiro EUA‑China, ocorrida nos dias 15 e 16 de dezembro, pode ser visto como um passo positivo rumo a um engajamento e a uma cooperação mais amplos. Triolo também destacou o potencial de colaboração entre as duas grandes potências em questões globais, como a mudança climática e a segurança da inteligência artificial. “Os Estados Unidos e a China são motores-chave da economia global”, afirmou, “e têm a responsabilidade compartilhada de trabalhar juntos nesses grandes desafios”.
Triolo afirmou que os controles de exportação dos EUA sobre tecnologia criaram um “problema difícil”, embora as empresas chinesas preferissem “manter-se plenamente integradas” à economia global.
Triolo afirmou que o desafio no início da administração Trump, no que diz respeito às relações entre os Estados Unidos e a China, seria “se houvesse alguns passos rumo à reversão dessa espiral descendente de confiança”.
Ele também enfatizou a necessidade de uma política mais abrangente e sofisticada em relação à China por parte da administração Trump.
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