FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
Trudeau deve deixar o cargo de primeiro-ministro do Canadá
Publicado:
2025-01-08
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A renúncia ocorre em meio a desafios, enquanto o Partido Liberal busca eleger um novo líder.
O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, anunciou sua renúncia na manhã de segunda-feira, após nove anos no poder, em meio a desafios internos e pressões externas enfrentados pelo país.
Ao discursar diante de sua residência, em Rideau Cottage, ele afirmou que deixará o cargo assim que seu partido escolher um novo líder.
“Pretendo renunciar ao cargo de líder do partido e de primeiro-ministro após o partido escolher seu próximo líder por meio de um processo competitivo, robusto e nacional”, disse Trudeau. “Este país merece uma verdadeira alternativa nas próximas eleições, e ficou claro para mim que, se tiver de travar batalhas internas, não poderei ser a melhor opção nesse pleito.”
O primeiro-ministro também afirmou que a governadora-geral Mary Simon atendeu ao seu pedido de prorrogar o Parlamento até 24 de março. Essa prorrogação concede aos liberais tempo para realizar uma corrida pela liderança em regime acelerado.
O Partido Liberal realizará um processo competitivo em todo o país para escolher um novo líder. Esse processo costuma durar vários meses e inclui uma convenção formal de liderança. Dadas as circunstâncias atuais, os liberais terão de eleger um novo líder a tempo do retorno do Parlamento, no final de março.
Espera-se que vários candidatos ingressem na disputa pela liderança nos próximos dias, entre eles o ex‑governador do Banco do Canadá, Mark Carney, a ex‑ministra das Finanças, Chrystia Freeland, e a ex‑premiê da província de Colúmbia Britânica, Christy Clark. Uma vez eleito, o novo líder tornar‑se‑á automaticamente primeiro‑ministro, substituindo Trudeau até as próximas eleições gerais.
As eleições gerais devem ser realizadas até 20 de outubro, e as pesquisas indicam que os eleitores, indignados com os altos preços e a escassez de moradia acessível, elegerão os conservadores da oposição e imporão uma derrota retumbante aos liberais, independentemente de quem liderar o partido.
Trudeau, de 53 anos, assumiu o cargo em novembro de 2015 com uma mensagem de esperança e “caminhos ensolarados” e foi reeleito duas vezes, tornando-se um dos primeiros‑ministros mais longevos do Canadá. No entanto, sua popularidade tem diminuído nos últimos anos devido a questões como o elevado custo de alimentos e moradia, bem como o aumento acelerado da imigração.
Uma pesquisa de novembro de 2024 realizada pela Leger, uma empresa canadense de pesquisa de mercado, mostrou que 42% dos canadenses planejam votar no Partido Conservador nas próximas eleições, contra 26% para os Liberais e 15% para o Novo Partido Democrático. Segundo a mesma pesquisa, quase sete em cada dez canadenses estão insatisfeitos com o governo de Trudeau.
Sun Xihui, pesquisador associado do Instituto Nacional de Estratégia Internacional da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirmou que as dificuldades internas do Canadá são a principal razão para a renúncia de Trudeau.
“Várias questões internas estão em jogo, sendo a economia a mais fundamental. As condições econômicas do Canadá têm sido precárias tanto no cenário internacional quanto no doméstico, afetando a renda e o bem-estar da população, o que constitui uma importante fonte de descontentamento. A deterioração da segurança pública, interligada às questões econômicas e à imigração, também tem alimentado significativamente a insatisfação com o governo”, afirmou Sun.
Pressão de um aliado
No plano das relações exteriores, o governo Trudeau também tem enfrentado pressões significativas por parte de seu vizinho e aliado mais próximo, os Estados Unidos.
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu ao anúncio de Justin Trudeau repetindo declarações anteriores segundo as quais o Canadá lucraria ao tornar-se o 51º estado norte-americano e reclamando do superávit comercial do Canadá com os EUA.
“Os Estados Unidos não podem mais suportar os enormes déficits comerciais e os subsídios de que o Canadá precisa para se manter à tona. Justin Trudeau sabia disso e renunciou”, disse ele no Truth Social.
Em novembro, Trump também anunciou planos de impor uma tarifa de 25% sobre todos os produtos canadenses, caso o governo não consiga conter o que Trump chama de fluxo de migrantes e drogas nos Estados Unidos. Como cerca de 75% das exportações do Canadá destinam-se aos EUA, essa medida poderia elevar significativamente os custos de exportação e, potencialmente, desacelerar o crescimento econômico do país, chegando a colocar em risco uma recessão.
Após a ameaça de tarifas de Trump, o governo de Trudeau passou por diversas mudanças de pessoal, alimentando crescentes apelos para que Trudeau renuncie, tanto dentro quanto fora do partido.
“Os EUA, aliados que o Canadá sempre seguiu, estão agora a emergir como sua maior ameaça externa. Essa ameaça é multifacetada, abrangendo pressões tarifárias, a ameaça existencial representada pelos apelos de Trump para integrar o país como o 51º estado dos EUA, e desafios relacionados à cooperação em segurança na América do Norte”, afirmou Sun.
“Independentemente de o Partido Conservador ou o Partido Liberal estar no poder, o futuro governo canadense enfrentará dificuldades para lidar com questões de longa data, como recessões econômicas, agravamento da segurança pública e desafios relacionados à imigração. É improvável que esses problemas sejam resolvidos rapidamente e eles podem até se acentuar. Tanto as pressões externas quanto a deterioração das questões internas representarão desafios significativos para o Canadá”, acrescentou.
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