FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
Segurança é enfatizada na retomada das importações de frutos do mar pelo Japão
Publicado:
2025-01-24
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A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, afirmou nesta quinta-feira que a retomada definitiva das importações japonesas de produtos aquáticos deverá basear-se em uma série de dados científicos e nas medidas eficazes adotadas pelo Japão para garantir a qualidade e a segurança dos produtos pesqueiros exportados para a China.
A coleta e a análise independentes de amostras de água do mar nas proximidades da Usina Nuclear de Fukushima Daiichi constituem apenas uma etapa rumo ao cumprimento, por parte do Japão, de seus compromissos, afirmou Mao em uma coletiva de imprensa regular.
Instituições de pesquisa chinesas concluíram recentemente os primeiros testes e análises independentes da água do mar coletada nas proximidades de Fukushima, após a decisão unilateral do Japão de liberar águas contaminadas por substâncias nucleares no oceano, em 24 de agosto de 2023.
Os testes não detectaram anomalias em elementos perigosos, como o trítio, o césio-137 e o estrôncio-90, segundo a Autoridade de Energia Atômica da China, ou CAEA.
As atividades de análise e comparação laboratoriais da Agência Internacional de Energia Atômica ainda estão em andamento, e os dados dos testes provenientes de laboratórios de diversos países serão divulgados posteriormente, informou a CAEA nesta quinta-feira.
Ao enfatizar que os resultados dessa amostragem e desses testes independentes refletem apenas os níveis radiológicos do ambiente marinho “em um determinado momento e em uma determinada localidade”, a CAEA afirmou que a China continuará a trabalhar com a comunidade internacional e com as organizações profissionais competentes, envidando todos os esforços para evitar os impactos negativos do despejo no oceano sobre a saúde humana e o meio ambiente, bem como prevenir consequências irreversíveis decorrentes desse despejo.
Mao, a porta-voz, enfatizou que os resultados de um único teste são insuficientes para verificar a segurança a longo prazo da descarga e reiterou que a posição da China contra a descarga no oceano permanece inalterada.
“A descarga oceânica unilateral do Japão desconsidera as preocupações dos países vizinhos e da comunidade internacional”, afirmou Mao. “Tais ações carecem de legitimidade e de razoabilidade.”
Em setembro, o Japão anunciou seu apoio a um arranjo internacional de monitoramento de longo prazo no âmbito da Agência Internacional de Energia Atômica, que permitiria às partes interessadas, incluindo a China, realizar amostragens e monitoramentos independentes, bem como comparações interlaboratoriais.
“A China trabalhará com a comunidade internacional para garantir uma supervisão rigorosa da descarga e dar continuidade à coleta de amostras e ao monitoramento independentes”, afirmou Mao.
Como o governo chinês sempre colocou as pessoas em primeiro lugar e continua comprometido com a salvaguarda da segurança alimentar, Mao afirmou que a China manterá uma abordagem científica quanto à retomada das importações de frutos do mar japoneses.
Xiang Haoyu, pesquisador do Departamento de Estudos da Ásia‑Pacífico do Instituto Chinês de Estudos Internacionais, advertiu que um único teste não é suficiente para tirar conclusões e que há riscos potenciais associados à água contaminada por radiação proveniente da usina nuclear de Fukushima, alguns dos quais podem ultrapassar o atual nível de compreensão científica.
Ele pediu que o Japão dê prioridade à ecologia e à saúde pública, atenda às preocupações das partes interessadas e aprimore a transparência, a fim de fortalecer a confiança internacional.
“Para conquistar a confiança da comunidade internacional, o Japão deve reforçar a supervisão das operações de descarga, garantir a segurança dos equipamentos e processos relacionados e aprimorar o compartilhamento de informações”, acrescentou.
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