FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
Protesto pró-Palestina na Trump Tower resulta em quase 100 prisões
Publicado:
2025-03-14
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A polícia de Nova York prendeu, na quinta-feira, dezenas de manifestantes na Trump Tower que protestavam contra a detenção de um ativista palestino e o apoio militar aos israelenses.
A multidão de cerca de 150 manifestantes — integrantes do grupo progressista antissionista Jewish Voice for Peace, que vestiam camisas com a mensagem “Judeus dizem: parem de armar Israel” — reuniu-se por volta do meio-dia em um átrio no andar térreo, junto ao restaurante Trump Grill, em Manhattan, informou o New York Post.
Ao todo, 98 pessoas foram detidas.
“Aquelas prisões foram por invasão de propriedade, obstrução da administração pública e resistência à prisão, em razão de termos precisado retirar algumas pessoas da escada rolante, como vocês viram”, disse o chefe de departamento do Departamento de Polícia de Nova York, John Chell.
Alguns manifestantes carregavam placas com os dizeres “Libertem Mahmoud, Libertem a Palestina”.
Mahmoud Khalil é um palestino formado pela Universidade de Columbia que foi detido pelas autoridades de imigração dos Estados Unidos no fim de semana. Ele tem organizado muitos dos protestos pró-Palestina no campus da Ivy League, em Nova York.
Residente permanente nos Estados Unidos, Khalil foi detido por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) na noite de sábado. Um juiz federal suspendeu temporariamente sua deportação, e Khalil aguarda o desenrolar do processo em uma prisão federal na Louisiana.
“Estou apenas defendendo meus direitos e também defendendo Mahmoud Khalil, que foi sequestrado ilegalmente e levado a um local desconhecido”, disse uma das manifestantes, a atriz norte-americana Debra Winger, à Associated Press. “Isso lhe parece a América?”
Khalil, de 30 anos, casado com uma cidadã americana e que não foi acusado de violar nenhuma lei, foi detido em frente ao seu apartamento na cidade de Nova York.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma publicação nesta segunda-feira em sua plataforma Truth Social, chamou Khalil de “estudante estrangeiro radical pró-Hamas” e anunciou que sua prisão foi “a primeira de muitas que virão”.
“Sabemos que há mais estudantes em Columbia e em outras universidades em todo o país que têm se envolvido em atividades pró‑terroristas, antissemitas e anti‑americanas, e a Administração Trump não irá tolerar isso”, disse Trump.
A administração Trump fez uma promessa de campanha de deportar ativistas nascidos no exterior que participaram de uma onda de protestos nos campi universitários americanos no ano passado. Os protestos ocorreram em resposta às ações militares de Israel em Gaza, as quais se seguiram ao ataque de outubro de 2023 contra Israel perpetrado pelo grupo militante Hamas, que controlava o enclave palestino.
Reportagens da mídia nesta quinta-feira afirmaram que Khalil trabalhou para o governo britânico em sua “política de soft power de referência”.
“O que Trump fez é uma difamação descarada. Mahmoud é uma pessoa extremamente bondosa e conscienciosa, e era querido pelos seus colegas no Escritório da Síria”, afirmou Andrew Waller, ex‑diplomata britânico, ao site Middle East Eye.
O site informou que Khalil atuou anteriormente como gerente de programa no Escritório da Síria na embaixada britânica em Beirute, entre 2018 e 2022. O Middle East Eye afirmou que registros online por ele examinados indicam que Khalil trabalhou como gerente local do Programa Chevening para a Síria, uma renomada bolsa internacional do governo do Reino Unido, bem como para o Fundo de Conflito, Estabilidade e Segurança.
A Trump Tower, situada na Quinta Avenida, em Manhattan, logo ao sul do Central Park, funciona como sede da Trump Organization e é onde o presidente se hospeda quando está em Nova York.
O átrio de vários andares é aberto ao público e conecta os visitantes a diversos estabelecimentos gastronômicos, incluindo o Trump Grill.
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