FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
O fórum atua como um catalisador para a cooperação
Publicado:
2023-10-21
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Evento de dois dias aborda conectividade, desenvolvimento verde e economia digital
O terceiro Fórum do Cinturão e da Rota para a Cooperação Internacional, realizado em Pequim, e o discurso de abertura proferido pelo presidente Xi Jinping podem “infundir novo vigor” na promoção do comércio multilateral, tornando‑o um evento oportuno e extremamente necessário no atual contexto do desenvolvimento econômico global, segundo analistas.
O fórum de dois dias resultou em iniciativas e acordos de cooperação, incluindo aprimoramentos na conectividade, no desenvolvimento verde e na economia digital, e abordou princípios de alto nível para o fortalecimento da integridade no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira.
Pavel Lyakhovich, diretor‑executivo e membro do conselho de administração da empresa petroquímica russa Sibur, afirmou que o fórum do Cinturão e Rota tem o potencial de conferir novo impulso ao avanço do comércio multilateral e à infraestrutura de transporte associada que o viabiliza.
A BRI desempenha um papel importante na promoção da criação de empregos e na elevação do padrão de vida nos países participantes, ao mesmo tempo em que impulsiona o comércio global, afirmou Lyakhovich.
Em seu discurso, Xi destacou o papel da Iniciativa do Cinturão e Rota na busca conjunta pelo desenvolvimento comum, em consonância com as necessidades dos países em desenvolvimento e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, visando construir, em conjunto, uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade.
Brian Renwick, consultor baseado em Londres que atua com organizações voltadas para a China, afirmou que o fato de os delegados terem vindo de mais de 150 países “reflete o interesse despertado pela BRI”.
Renwick, que vem conduzindo uma pesquisa aprofundada sobre a Iniciativa do Cinturão e da Rota desde 2020, afirmou que a iniciativa é “uma forma magnífica de a China contribuir para o desenvolvimento global e tanto financiar quanto gerir projetos que, de outro modo, poderiam permanecer inviáveis por muitos anos”.
Stephen Perry, presidente do 48 Group Club, do Reino Unido, afirmou que a iniciativa está transformando a vida de pessoas em países que não tiveram condições de investir na infraestrutura básica necessária para se tornarem nações modernas.
“A China está a reunir os recursos financeiros, os projetos, a mão de obra e a tecnologia necessários para transformar a infraestrutura básica desses países. Nenhum país jamais assumiu tamanha responsabilidade de construir para outros e de ligar a Ásia, a Europa e a África”, afirmou Perry.
Processo em evolução
Denis Simon, professor e administrador acadêmico nos Estados Unidos, afirmou que a BRI é “um processo em evolução” que permite à China identificar a melhor forma de auxiliar os países em desenvolvimento envolvidos na iniciativa.
“Minha impressão sobre o futuro da Iniciativa Cinturão e Rota é que ela passará a abranger aquilo a que eu chamaria de iniciativas como a ‘estrada digital’, bem como medidas voltadas a fortalecer a conectividade interna nos países, a garantir a existência de um contingente qualificado de profissionais e a promover a melhoria do ensino superior. … Trata‑se, em todos os casos, de aspectos que, a meu ver, deverão integrar a Iniciativa Cinturão e Rota de forma mais permanente”, afirmou Simon.
Stepan Gusamov, CEO da líder russa do comércio eletrônico, Ozon Global, afirmou que a cooperação entre Rússia e China é fundamental, uma vez que esses dois países estão entre os principais mercados emergentes do mundo e se complementam em diversos aspectos — desde a cooperação no setor energético até tecnologia e projetos logísticos de grande escala.
Oleg Timofeev, professor associado na Universidade da Amizade dos Povos da Rússia, afirmou que o fórum da Iniciativa Cinturão e Rota foi realizado em meio a crescentes turbulências globais. Ele destacou que, ao contrário dos EUA, que criaram blocos militares como o AUKUS, a China está determinada a promover a Iniciativa Cinturão e Rota, que já conta com o apoio da grande maioria das nações.
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