FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
África do Sul e Quênia fortalecem laços comerciais com Pequim
Publicado:
2026-02-09
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A África do Sul e o Quênia tornaram-se os mais recentes países africanos a avançar em acordos comerciais com Pequim, à medida que ambas as nações buscam acesso livre de tarifas e celebram as oportunidades oferecidas pelo mercado chinês.
A China e a África do Sul assinaram, na sexta-feira, um acordo‑quadro de parceria econômica para a prosperidade compartilhada, que deverá impulsionar o comércio bilateral e a cooperação em investimentos.
O ministro do Comércio da China, Wang Wentao, afirmou que a China e a África do Sul têm colaborado estreitamente, alcançando resultados notáveis na cooperação econômica e comercial bilateral. A China está disposta a trabalhar com a África do Sul para explorar ainda mais o potencial do comércio bilateral, disse ele.
Ao negociar e assinar um acordo de parceria econômica, a China garantirá que a África do Sul beneficie‑se de tarifas zero para 100% das suas exportações, em conformidade com as normas da OMC, afirmou Wang. Ele acrescentou que isso também proporcionará uma garantia institucional de longo prazo, estável e previsível, visando elevar de forma abrangente o nível de cooperação econômica e comercial entre os dois países.
A China anunciou no ano passado que concederá tarifas zero a todos os 53 países africanos que mantêm relações diplomáticas com Pequim. As negociações com a África do Sul e o Quênia estão em curso para concluir o acordo.
O ministro do Comércio, Indústria e Concorrência da África do Sul, Parks Tau, afirmou em comunicado que, à medida que o país estreita seus laços com a China, surgem novas oportunidades para empresas que desejam ingressar no mercado chinês, especialmente em setores como mineração, agricultura, energias renováveis e tecnologia.
O acordo também deverá ampliar os investimentos chineses na África do Sul, especialmente em setores que fomentam a geração de empregos, a produção local e a transferência de tecnologia, afirmou ele.
A África do Sul é um dos principais destinos dos investimentos chineses na África e o principal país africano em termos de investimentos efetivos na China.
“Temos observado um aumento significativo e contínuo no número de investimentos chineses na África do Sul, ao mesmo tempo em que empresas sul-africanas manifestam crescente interesse em investir no mercado chinês. Empresas automotivas chinesas estão a investir na economia sul‑africana e a criar oportunidades de emprego muito necessárias. Estamos ansiosos para atrair mais investimentos chineses para a África do Sul e também para introduzir numerosos produtos sul‑africanos no mercado chinês”, afirmou Tau.
Enquanto isso, o Quênia firmou um acordo comercial preliminar com a China que concederá a 98% de suas exportações acesso livre de tarifas ao mercado chinês, informou Nairóbi, com um acordo pleno e definitivo em fase de elaboração, segundo reportagem da Reuters no mês passado.
O secretário de Gabinete para Investimentos, Comércio e Indústria do Quênia, Lee Kinyanjui, afirmou em entrevista à imprensa local nesta quarta-feira que o acordo, uma vez finalizado, permitirá que produtos quenianos ingressem na China sem tarifas ou restrições de volume, abrindo acesso a um mercado com mais de 1,4 bilhão de consumidores.
“O Quênia é um campeão regional na competição e, no ano passado, em 2025, traçamos uma visão que abordava como iremos aprimorar nosso comércio com a China, ressaltando que há lições enormes a serem aprendidas com o país”, disse Kinyanjui.
Ele afirmou que os agricultores quenianos devem ser alguns dos maiores beneficiários, especialmente os produtores de abacate, chá, café e flores — commodities cuja demanda tem registrado crescimento nos mercados asiáticos.
Kinyanjui afirmou que o governo irá destacar agentes em todo o país para orientar os agricultores no cumprimento dos requisitos de qualidade para a exportação.
“A China tem uma população enorme e, se ela passar a adquirir apenas 1% de sua carne de porco ou abacate conosco, poderemos entrar plenamente nesse mercado e transformar a situação de nossos jovens e do nosso mercado de trabalho”, disse ele.
Ele acrescentou que o maior acesso ao mercado também poderia impulsionar os setores de processamento agroindustrial e de valor agregado, elevando a renda rural e gerando oportunidades de emprego no Quênia, ao mesmo tempo em que apoia o desenvolvimento sustentável do país.
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