FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
Diferenças geopolíticas cada vez mais acentuadas foram destacadas antes da reunião de Munique
Publicado:
2026-02-11
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O mundo ingressou em uma era volátil de “política de demolição”, que privilegia o desmantelamento das instituições em detrimento da reforma gradual, alerta um relatório da Conferência de Segurança de Munique antes de sua reunião anual desta semana.
A conferência reúne cerca de 65 chefes de Estado e de governo, além de quase 100 ministros das Relações Exteriores e da Defesa, altos comandantes e autoridades de alto escalão, para três dias de debates que se iniciam na sexta-feira, em Munique, Alemanha.
O relatório de 2026 do MSC, publicado na segunda-feira antes da reunião, adverte que a ordem global enfrenta pressões crescentes, as alianças estão se desgastando e as divisões geopolíticas estão se aprofundando.
O presidente do MSC, Wolfgang Ischinger, afirma no prefácio do relatório que “raramente, na história recente da conferência, houve tantas questões fundamentais em discussão ao mesmo tempo”.
Ele destaca questões centrais, incluindo a segurança europeia, a trajetória das relações transatlânticas e se a comunidade internacional continua capaz de navegar por um mundo cada vez mais “complexo e contestado”.
De acordo com uma análise da Euronews, o relatório retrata um mundo em meio a profundas turbulências políticas, econômicas e de segurança. Em seu cerne, encontra-se uma avaliação que dá o tom a todo o documento e à própria conferência: “O mundo ingressou em um período de política de demolição.”
Conclui-se que reformas provisórias e mudanças marginais de política estão dando lugar a revisões abrangentes que desafiam deliberadamente os sistemas vigentes e, em alguns casos, visam sua desmontagem.
Os Estados Unidos, a própria potência que ajudou a moldar a ordem internacional do pós-guerra, são hoje apontados como o principal motor de sua transformação.
Mais de 80 anos após sua elaboração, o relatório afirma que a ordem internacional encontra-se atualmente “em processo de destruição”, salientando que isso não se resume a uma sequência de decisões políticas isoladas, mas a uma mudança mais ampla de rumo proveniente de Washington.
A política dos EUA, sustenta o relatório, vem desafiando princípios fundamentais que têm sustentado a cooperação internacional há décadas, desde o papel das instituições multilaterais e a primazia do comércio baseado em regras até alinhamentos estreitos com aliados democráticos.
As consequências são sentidas em todo o mundo, mas são especialmente acentuadas na Europa, que há muito depende das garantias de segurança dos Estados Unidos, onde a parceria é hoje percebida como “instável”, oscilando entre “reassegurança, condicionalidade e coerção”.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deverá participar da conferência deste ano. Segundo relatos da imprensa, a presença do vice-presidente JD Vance foi inicialmente confirmada, mas foi cancelada uma semana depois.
Na conferência do ano passado, seu discurso foi amplamente descrito como um “reconhecimento da Europa” e suscitou críticas de diversos políticos, incluindo o chanceler alemão Friedrich Merz e o ministro da Defesa Boris Pistorius.
O relatório inclui resultados de pesquisas realizadas em diversos países sobre se as políticas governamentais vigentes estão a melhorar as perspectivas das gerações futuras.
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