FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
A China pode ajudar a África a alcançar a segurança alimentar
Publicado:
2024-03-08
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Professor afirma que a experiência do país em tirar pessoas da pobreza é benéfica
A China, que tem conseguido alimentar seus 1,4 bilhão de habitantes e tirar centenas de milhões de pessoas da pobreza, deverá desempenhar um papel fundamental na ajuda à África para enfrentar a insegurança alimentar, por meio do fortalecimento da cooperação bilateral em tecnologia agrícola e na formação de talentos, afirmou um professor queniano.
Falando antes das duas sessões anuais da China — durante as quais seu principal órgão legislativo, o Congresso Nacional do Povo, e seu órgão consultivo político, o Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, se reúnem em Pequim —, Robert Gituru, diretor africano do Centro de Pesquisa Conjunta Sino‑Africano na Universidade de Agricultura e Tecnologia Jomo Kenyatta, localizada na capital queniana, Nairóbi, afirmou que, enquanto país em desenvolvimento, a China tende a compreender melhor os desafios enfrentados pela África e dispõe de soluções adaptadas à realidade do continente.
Gituru afirmou que a China fabrica máquinas e ferramentas agrícolas de pequena escala, a preços acessíveis, que estão ajudando a África a aumentar os rendimentos das colheitas. O país também conseguiu tirar rapidamente um grande número de pessoas da pobreza, uma experiência que poderia beneficiar o continente.
“A África dispõe de uma quantidade relativamente grande de terras aráveis em comparação com muitas regiões do mundo, incluindo a China; assim, se conseguirmos importar as tecnologias adequadas da China, a África poderá alcançar a segurança alimentar”, afirmou Gituru.
Uma ampla gama de questões, incluindo a agricultura e a segurança alimentar, está sendo debatida durante as duas sessões. Muitos africanos esperam que, em decorrência dessas discussões, seja dado novo impulso ao Fórum de Cooperação China‑África, uma importante plataforma para a cooperação sino‑africana, afirmou o professor.
Gituru afirmou que essa cooperação já produziu resultados concretos em toda a África, inclusive em seu centro de pesquisa. No ano passado, o centro realizou demonstrações de cultivo de milho e, ao adotar técnicas agronômicas adequadas da Academia Chinesa de Ciências, as produtividades aumentaram em 50%, segundo ele.
O centro também utilizou uma plantadeira manual de fabricação chinesa, que economiza mão de obra, produz fileiras retas durante o arado e realiza o plantio, a semeadura e a fertilização no campo. Os agricultores locais têm demonstrado grande interesse pelo equipamento.
Gituru afirmou que a China também está fabricando uma máquina que poderia ajudar os agricultores a produzir rações mais nutritivas para seus animais de criação.
Notavelmente, a China está mostrando como cultivar culturas de alto valor agregado, como uvas, kiwis e painço‑rabo‑de‑raposa, na África, afirmou ele.
O professor afirmou que, além de produzir máquinas e ferramentas agrícolas de pequena escala, as empresas chinesas estão bastante interessadas em participar da produção local de fertilizantes. Ele acredita que isso será especialmente benéfico, pois a escassez de fertilizantes é uma das principais causas da baixa produtividade agrícola na África.
Um instituto chinês que vem recuperando o Deserto de Taklimakan, o maior deserto da China, está compartilhando suas competências e tecnologias com países africanos por meio da Iniciativa Grande Muralha Verde, que visa ampliar a área de terras agricultáveis no Sahel, região que faz fronteira com o Deserto do Saara.
Gituru afirmou que, quando estudantes africanos prosseguem seus estudos na China, geralmente não ocorre uma fuga de cérebros, pois eles costumam retornar aos seus países para aplicar o que aprenderam.
Ele afirmou que a China está comprometida em reforçar a cooperação institucionalizada em matéria de quarentena e inspeção com a África, instando as autoridades a garantir que os agricultores adotem técnicas adequadas de manejo das culturas, permitindo que seus produtos tenham acesso aos mercados internacionais.
“Esperamos que a China enriqueça o ‘corredor verde’ para os produtos agrícolas dos países africanos, permitindo‑lhes ingressar no mercado chinês, e aproveite o papel de promoção do comércio da Exposição Econômica e Comercial China‑África e de outras feiras para aumentar as exportações de produtos agrícolas da África para a China”, afirmou.
Gituru afirmou que, para os países africanos construírem uma base sólida de apoio, deveriam aproveitar a formação que seus agricultores e acadêmicos podem receber da China.
“Além disso, devemos traçar estratégias para aproveitar o amplo mercado de produtos agrícolas existente na China, assegurando que nossos métodos de produção estejam alinhados às necessidades desse mercado”, afirmou ele.
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