FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
Potências mundiais são instadas a ouvir mais e a dialogar com a ASEAN, afirma fórum
Publicado:
2024-03-13
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Uma vista do local da 20ª Exposição China-ASEAN, em Nanning, na região autônoma de Guangxi Zhuang, no sul da China.
A China é um parceiro de confiança, e as grandes potências deveriam ouvir mais a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e reconhecer seu compromisso com a centralidade, ouviu-se em um fórum online.
É importante que a ASEAN e seus parceiros desenvolvam uma comunicação bidirecional para a construção de consensos e o fortalecimento da comunidade, segundo Shofwan Al Banna, pesquisador sênior do Forum Policy Community of Indonesia (FPCI) e docente da Universitas Indonesia.
Shofwan é um dos principais palestrantes do fórum de 5 de março, organizado pelo FPCI e pelo Instituto de Pesquisa Econômica para a ASEAN e o Leste Asiático. Os participantes do fórum discutiram os resultados da pesquisa sobre a percepção dos cidadãos da ASEAN em relação à China, à Índia, ao Japão e aos Estados Unidos. De acordo com o levantamento realizado pelo FPCI e pelo ERIA, a maioria dos entrevistados classificou a China como o “parceiro mais relevante” para o futuro da ASEAN e a considerou o “parceiro mais confiável da região para a cooperação econômica”.
Um total de 1.772 entrevistados dos 11 países da ASEAN, incluindo Timor-Leste, responderam a perguntas como: quem é o que mais suscita preocupações? quem é o parceiro com quem se sente mais à vontade? quem é o parceiro de segurança mais confiável? quem é o parceiro econômico mais confiável? e quais iniciativas são as mais conhecidas?
Os respondentes da pesquisa foram funcionários públicos, acadêmicos e membros de think tanks, integrantes do setor empresarial, representantes da sociedade civil e estudantes.
“Para a Malásia, a China é importante”, afirmou Sheila Devi Michael, chefe do Departamento de Estudos Internacionais e Estratégicos da Faculdade de Artes e Ciências Sociais da Universitas Malaysia. Michael disse que a Malásia adota uma abordagem equilibrada em suas relações com a China, o Japão, os Estados Unidos e a Índia.
A ASEAN tornou-se o maior parceiro comercial da China desde 2022, ultrapassando a União Europeia, enquanto a China é o maior parceiro comercial da ASEAN há mais de uma década.
A China pode manter e sustentar seu crescimento econômico e deveria continuar a compartilhar esse crescimento com os países da ASEAN, segundo Wei Ling, professor da Escola de Relações Internacionais da Universidade de Negócios Internacionais e Economia, em Pequim. Wei afirmou que a China precisa aprimorar sua parceria estratégica abrangente e continuar a cultivar a confiança e a construir uma relação de amizade com a ASEAN.
Ela afirmou que as grandes potências deveriam ouvir mais a voz dos povos da ASEAN e apresentar iniciativas de desenvolvimento aos países do Sudeste Asiático.
“Eles deveriam ser um ouvinte, um ouvinte atento”, disse ela.
Michael, da Malásia, afirmou que a relação entre a ASEAN e o Japão “ultrapassou as áreas convencionais, passando agora a concentrar-se mais na comunicação e no espaço”.
Kei Koga, professor associado do programa de políticas públicas e assuntos globais da Escola de Ciências Sociais da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura, afirmou que o Japão precisa ser criativo ao fornecer bens públicos aos países do Sudeste Asiático. Isso visa facilitar um maior desenvolvimento e a paz na região, segundo ele.
Michael afirmou que, apesar de ter obtido uma pontuação baixa na pesquisa, os Estados Unidos são importantes para a Malásia no que diz respeito aos assuntos políticos e de segurança.
Denny Roy, pesquisador sênior do East-West Center, afirmou que o governo dos Estados Unidos está “comprometido em declarar que apoia a centralidade da ASEAN, pois não há custo algum em dizer isso. O custo surgiria caso se negasse a centralidade da ASEAN”.
Roy afirmou que apoiar a centralidade da ASEAN não impede que os EUA fortaleçam suas relações com países fora da organização. Ele citou o Diálogo de Segurança Quadrilateral, ou Quad, formado por Austrália, Índia, Japão e Estados Unidos; e o AUKUS, o acordo trilateral de defesa entre Austrália, Reino Unido e Estados Unidos.
Sobre o AUKUS, os entrevistados indonésios geralmente o veem como um fator que compromete a estabilidade da região. Em contraste, os entrevistados filipinos consideram o AUKUS como um reforço da segurança.
Seksan Anantasirikiat, pesquisador do Centro Internacional de Estudos em Banguecoque, afirmou que as pesquisas do FPCI também deveriam envolver países como a Coreia do Sul, a Austrália e a União Europeia.
“Temos princípios e seguimos regras, pois, além da Carta da ASEAN, também contamos com o Tratado de Amizade e Cooperação, que estabelece relações com numerosos países”, afirmou Seksan.
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