FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
China e Austrália reforçarão seus laços
Publicado:
2024-03-22
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Duas partes concordam em retomar os diálogos e impulsionar a cooperação em diversos setores
As relações entre a China e a Austrália voltaram ao rumo certo, e não deve haver mais hesitação, nem desvios nem recuos no avanço dos laços bilaterais, afirmou nesta quarta-feira o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi.
Ele fez a declaração em Camberra, durante o sétimo Diálogo Estratégico e de Assuntos Exteriores entre a China e a Austrália, ao lado da ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong.
Observadores afirmaram que um dos pontos altos do encontro foi o acordo entre as duas partes para retomar e estabelecer diálogos em diversos setores, permitindo que esses canais funcionem de modo eficaz. Segundo eles, a declaração de Wang serve como lembrete de quanto Pequim valoriza a recuperação, conquistada a duras penas, nas relações entre a China e a Austrália.
O Ministério das Relações Exteriores afirmou, em comunicado, que Pequim e Camberra “concordaram em aprofundar a cooperação entre os órgãos responsáveis dos dois países em áreas como relações exteriores, economia e comércio, ciência e tecnologia, educação, bem como aplicação da lei, e em considerar ativamente diálogos sobre assuntos marítimos”.
As duas partes também concordaram em adotar medidas adicionais para facilitar os intercâmbios entre os povos dos dois países.
Wang afirmou que os altos e baixos nas relações entre a China e a Austrália ao longo dos últimos dez anos deixaram lições a serem aprendidas e valorizadas, entre as quais se destacam a manutenção do respeito mútuo, a busca de pontos em comum ao mesmo tempo em que se colocam de lado as diferenças, bem como a adesão aos princípios do benefício mútuo, da autossuficiência e da autonomia.
Como os dois países dispõem de uma direção clara para o aprofundamento de suas relações, devem esforçar-se para avançar de forma significativa, firme e harmoniosa nessa direção, afirmou ele.
“Isto é do interesse comum dos dois povos e da expectativa comum dos países da região”, acrescentou.
Wong afirmou que os dois países mantêm laços estreitos em termos históricos, comerciais e culturais, são parceiros estratégicos abrangentes e estão situados na mesma região, devendo, portanto, evitar que as diferenças definam toda a relação entre a China e a Austrália.
Wang detalhou a posição da China sobre questões que vão de Taiwan, a Região Administrativa Especial de Hong Kong e as regiões autônomas de Xinjiang Uigur e Xizang, até o Mar do Sul da China.
Ele enfatizou que não existem ressentimentos históricos nem conflitos de interesse entre a China e a Austrália, e que seus interesses comuns superam em muito as suas diferenças.
Observadores destacaram que os esforços conjuntos de ambas as partes nos últimos dois anos permitiram que a China e a Austrália quebrassem o gelo e retomassem o curso de suas relações. As trocas e a cooperação em diversos setores têm sido gradualmente restabelecidas.
Ao se reunir com Wang na quarta-feira, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, enfatizou a necessidade de identificar o maior número possível de áreas de interesse comum.
A Austrália elogia os avanços da China no desenvolvimento e na redução da pobreza e manifesta disposição para reforçar os intercâmbios de alto nível com a China e aprofundar a cooperação mutuamente benéfica em diversos setores, afirmou ele.
O governante Partido Trabalhista Australiano deu uma contribuição histórica para o estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países. O governo do Partido Trabalhista continuará a envidar esforços para promover o desenvolvimento construtivo das relações entre a Austrália e a China, afirmou Albanese.
Chen Hong, professor e diretor do Centro de Estudos Australianos da Universidade Normal da China Oriental, em Xangai, afirmou: “Pequim não exige recuos nas relações, num momento em que os laços bilaterais atingem o nível mais baixo da história sob a anterior administração australiana, que causou danos que se estenderam da esfera política para os aspectos econômicos.”
O governo em exercício deverá continuar a mitigar as pressões exercidas por políticos antichineses e pelos Estados Unidos, a fim de manter o relacionamento em pé, afirmou Chen. “Os diálogos bilaterais em diversas áreas, se forem retomados conforme prometido na quarta-feira, representarão uma importante melhoria nas relações”, acrescentou.
Wang afirmou que Pequim está disposta a continuar a preparar-se para os intercâmbios de alto nível entre os dois países.
As duas nações devem reforçar a cooperação em áreas tradicionais, como energia, minerais e produtos agrícolas, e explorar o potencial de colaboração em setores como novas energias, economia digital, desenvolvimento verde e mudanças climáticas, afirmou ele.
A viagem de Wang à Nova Zelândia e à Austrália, prevista para concluir-se na quinta-feira, é a segunda visita de um ministro das Relações Exteriores da China a esses dois países nos últimos sete anos.
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