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Nação se esforça para proteger as cadeias de suprimento globais


Publicado:

2022-11-26

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Xi: País se opõe à politização e à militarização dos laços econômicos e comerciais, bem como das trocas científicas e tecnológicas

A recente ênfase da China na proteção das cadeias globais de suprimentos destaca a urgência e a importância vital de uma cooperação internacional mais profunda em áreas-chave, à medida que o mundo enfrenta interrupções em setores como semicondutores, energia e alimentos, além de outros desafios nas cadeias industriais, segundo especialistas.

Em meio à crise econômica global e às incertezas geopolíticas, a China deixou claro que quaisquer tentativas de romper as cadeias de suprimento prejudicarão o mundo, e que o país continuará a desempenhar um papel importante e positivo na estabilização das cadeias industriais globais, acrescentaram.

Durante seus encontros com líderes de diversos países na ilha turística indonésia de Bali, no início deste mês, o presidente Xi Jinping pediu mais esforços para estabilizar as cadeias industriais e de suprimentos globais. Entre os líderes que se reuniu durante a Cúpula do G20 estavam o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o presidente da República da Coreia, Yoon Suk-yeol, e o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte.

Durante suas discussões, Xi afirmou que iniciar uma guerra comercial ou tecnológica, erguer muros e barreiras, bem como promover o desacoplamento e a ruptura das cadeias de suprimento, vão todos de encontro aos princípios da economia de mercado e minam as regras do comércio internacional.

Ele reiterou a oposição de Pequim à politização e à militarização dos laços econômicos e comerciais, bem como das trocas em ciência e tecnologia, afirmando que tais tentativas não atendem aos interesses de ninguém.

Bai Ming, diretor‑adjunto de pesquisa sobre mercados internacionais da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica, afirmou: “As declarações enviam uma mensagem contundente de que o mundo é uma comunidade em que todos os países precisam cooperar, em vez de se desvincular uns dos outros. Elas demonstram que a China é um país responsável diante dos desafios.”

As discussões revestem especial importância, pois ocorreram após o governo dos Estados Unidos ter imposto uma série de restrições ou controles cuidadosamente calculados às exportações de tecnologia avançada de semicondutores para a China. Washington também vem pressionando outros países, como a República da Coreia, o Japão e os Países Baixos — importantes atores no setor global de semicondutores — a adotarem medidas similares de restrição ao comércio de chips com a China.

“A comunicação direta com os líderes dos países envolvidos pode esclarecer as intenções estratégicas e transmitir claramente a mensagem de que quaisquer tentativas de excluir a China das cadeias industriais prejudicarão a recuperação econômica global”, afirmou Zhang Tengjun, vice-diretor do Departamento de Estudos da Ásia‑Pacífico do Instituto Chinês de Estudos Internacionais.

Segundo Zhang, isso está em consonância com a perspectiva de muitos países asiáticos. “Durante o encontro com seu homólogo sul-coreano, o presidente Xi enfatizou a necessidade de aprofundar a cooperação em áreas como a manufatura de alta tecnologia. As duas economias são altamente complementares e não há conflito de interesses fundamentais entre as partes”, acrescentou Zhang.

A Holanda também manifestou sua intenção de resistir aos apelos dos Estados Unidos para proibir a venda de equipamentos de semicondutores à China. Na terça-feira, a ministra holandesa do Comércio Exterior, Liesje Schreinemacher, afirmou aos parlamentares que o país tomará sua própria decisão quanto às vendas de equipamentos de semicondutores da empresa holandesa ASML para a China, em meio às negociações sobre regras comerciais com os EUA e outros aliados, informou a Bloomberg.

A ASML domina o mercado de equipamentos de fabricação de chips de última geração e exclusivos, como as máquinas de litografia ultravioleta, que se tornaram um foco das tentativas do governo dos Estados Unidos de restringir o comércio com a China.

“Se colocarmos isso numa cesta da UE e negociarmos com os EUA e, no fim das contas, descobrirmos que estamos cedendo máquinas de litografia por ultravioleta profundo aos EUA, estaremos em pior situação”, disse Schreinemacher.

Wang Yiming, vice-presidente do Centro Chinês para Intercâmbios Econômicos Internacionais, afirmou que, nos últimos dois anos, os países têm sentido profundamente os impactos das interrupções nas cadeias industriais, com escassez de chips, problemas logísticos e crises alimentar e energética afetando empresas e consumidores em todo o mundo.

“Em meio a tal contexto, é particularmente urgente preservar a estabilidade das cadeias de suprimento globais”, afirmou Wang, acrescentando que as tentativas de alguns países de politizar relações comerciais normais acabarão por prejudicar seus próprios interesses.

Um exemplo disso é que os funcionários da maior fábrica de microchips do Reino Unido pediram a Grant Shapps, secretário de Estado britânico para Negócios, Energia e Estratégia Industrial, que reverta sua decisão de obrigar os proprietários chineses a venderem sua participação majoritária.

A associação de funcionários da Newport Wafer Fab enviou, na segunda-feira, uma carta a Shapps argumentando que seus empregos estavam em risco após ele ter determinado, na semana passada, que a Nexperia — controlada pela empresa chinesa Wingtech — deveria vender pelo menos 86% de sua participação na fábrica, devido a supostas preocupações de segurança nacional, informou a Sky News.

Apesar dessas interrupções e dos ventos contrários, a China tem se empenhado intensamente para preservar a resiliência e a estabilidade de suas cadeias de suprimento, segundo especialistas.

Denis Depoux, diretor‑geral global da consultoria Roland Berger, afirmou que as cadeias de suprimento da China se aperfeiçoaram, à medida que empresas chinesas e estrangeiras investiram intensamente na modernização de seus sistemas produtivos em 2021, quando a maior parte do setor manufatureiro global ainda sofria gravemente com as interrupções decorrentes da pandemia de COVID‑19.

“A contínua alta das exportações chinesas, mesmo até o momento em 2022, evidencia essa resiliência e competitividade”, afirmou ele.

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