FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
O México impõe tarifas de importação temporárias de 5% a 50% sobre o aço, o alumínio e outras commodities.
Publicado:
2024-05-07
Autor:
O presidente mexicano López assinou, no dia 22, um decreto que estabelece tarifas de importação temporárias de 5% a 50% sobre 544 produtos, incluindo aço, alumínio, têxteis, vestuário, calçados, madeira, plásticos e seus derivados. O decreto entra em vigor em 23 de abril e terá validade de dois anos.
De acordo com o decreto, têxteis, vestuário, calçados e outros produtos ficarão sujeitos a uma tarifa de importação temporária de 35%; o aço redondo com diâmetro inferior a 14 mm ficará sujeito a uma tarifa de importação temporária de 50%.
As mercadorias importadas de regiões e países que tenham celebrado acordos comerciais com o México gozarão de tratamento tarifário preferencial, desde que cumpram as disposições pertinentes do referido acordo.
Gabriela Siler, diretora de análise econômica do BASE Financial Group, no México, acredita que as medidas tarifárias podem gerar maior pressão inflacionária no país e que “o protecionismo não funciona em lugar algum”.
Para prevenir a concorrência desleal
A ministra da Economia do México, Raquel Buenrostro, afirmou nesta terça-feira que o objetivo do governo é “prevenir a concorrência desleal”.
“Estamos observando a entrada de numerosos produtos no México a preços muito baixos, que vêm deslocando nossos produtores nacionais”, afirmou ela durante um evento do Conselho Interamericano, na Cidade do México.
“… os preços internos não estão caindo, mas as importações baratas estão substituindo fabricantes de têxteis, de calçados e de outros setores”, disse ela. “Essa preocupante onda de importações decorre da ausência de um acordo comercial com o México.”
Ao mesmo tempo, o Ministério da Economia do México também afirmou que as novas tarifas visam assegurar condições de mercado certas e justas para os setores industriais nacionais em situação vulnerável, promovendo assim o desenvolvimento das indústrias nacionais e apoiando o mercado interno.
Anteriormente, em 16 de agosto de 2023, o México aumentou as tarifas de importação sobre 392 itens tarifários. Quase 92% dos produtos incluídos nesses itens passaram a estar sujeitos a uma tarifa de importação de 25%, e apenas determinados têxteis ficarão sujeitos a uma tarifa de 15%. Tudo isso também se aplica aos países com os quais o México não mantém um acordo de livre comércio. A medida permanece em vigor até 31 de julho de 2025. (Clique para ver: Em destaque! Grandes países latino-americanos elevaram as tarifas de importação sobre 392 itens, com quase 92% dos produtos atingindo até 25%)
A China é o segundo maior parceiro comercial do México.
O México é uma importante potência econômica na América Latina e membro do Acordo Estados Unidos–México–Canadá (anteriormente a Área de Livre Comércio da América do Norte). É uma das economias mais abertas do mundo e já assinou acordos de livre comércio com 50 países. O país dispõe de setores industriais completos, com indústrias petroquímica, de energia elétrica, de mineração, metalúrgica e manufatureira relativamente desenvolvidas. Segundo estatísticas, o PIB em 2022 deverá atingir US$ 1,4 trilhão.
Em termos de comércio exterior, o México exporta principalmente petróleo bruto, produtos industriais, derivados de petróleo, vestuário, produtos agrícolas, entre outros. Os principais destinos das exportações são os Estados Unidos, o Canadá, a União Europeia, a América Central, a China, entre outros; já as importações concentram-se em alimentos, produtos farmacêuticos, equipamentos de comunicação, entre outros. Os principais países de origem das importações são os Estados Unidos, a China, a Alemanha, o Japão, a Coreia do Sul, entre outros. O volume total do comércio exterior em 2022 será de 1,18281 bilhão de dólares, sendo 578,19 bilhões de dólares em exportações e 604,61 bilhões de dólares em importações, representando aumentos anuais de 18,5%, 17,2% e 19,9%, respectivamente.
A China é o segundo maior parceiro comercial do México, e o México é o segundo maior parceiro comercial da China na América Latina. Segundo estatísticas da Administração Geral das Alfândegas da China, o volume total de comércio entre a China e o México em 2023 deverá atingir US$ 100,2 bilhões, dos quais US$ 81,5 bilhões correspondem às exportações chinesas e US$ 18,7 bilhões às importações. A China exporta principalmente componentes eletrônicos, utensílios de cozinha, peças para veículos automotores, entre outros, para o México, enquanto importa principalmente petróleo bruto, equipamentos elétricos, instrumentos médicos e outros produtos desse país.
Vale ressaltar que, pouco antes da introdução dessa medida tarifária, o Ministério da Economia do México havia imposto tarifas sobre pregos e esferas de aço provenientes da China. No final de março, López afirmou que as questões relacionadas ao aço não haviam afetado as relações comerciais do México com os Estados Unidos e a China, e declarou que o governo não desejava envolver-se em qualquer tipo de “guerra, nem mesmo em uma guerra comercial”.
Obter Orçamento