FOCO NOS PONTOS CRÍTICOS
A escolha dos destinos aponta para as prioridades
Publicado:
2024-05-10
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A escolha dos destinos aponta para as prioridades
Maio de 2024 deverá ser um mês importante para a diplomacia chinesa. Neste mês, o presidente Xi Jinping visitará três países europeus. Essas interações de alto nível provavelmente atrairão comentários críticos de alguns países ocidentais.
A turnê europeia do presidente Xi, que teve início na França, marca sua primeira visita de Estado à Europa em cinco anos, após as perturbações provocadas pela pandemia de COVID‑19. Seu roteiro também inclui paradas em Belgrado e Budapeste. A escolha desses destinos europeus específicos é bastante reveladora. Ela provavelmente reflete as prioridades estratégicas da China na Europa no que diz respeito às relações políticas e econômicas. A França, a Sérvia e a Hungria, embora apresentem posições geopolíticas e perspectivas distintas no contexto europeu, compartilham uma mesma atitude pragmática em relação à China.
A França, ao lado da Alemanha, figura como um dos Estados‑membros mais influentes da União Europeia e mantém uma relação de ampla cooperação com a China. Este ano assinala o 60º aniversário das relações diplomáticas entre os dois países, sustentadas por uma parceria estratégica abrangente. Além disso, na qualidade de membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a França ocupa uma posição de destaque no cenário global. O presidente francês, Emmanuel Macron, defende o conceito de autonomia estratégica para a Europa, com ênfase na soberania e na redução da dependência da influência norte‑americana.
A Hungria, outro Estado‑membro da UE, é frequentemente considerada o país mais influenciado pela China dentro do bloco europeu. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, adota uma política externa multivetorial, cultivando estreitos laços com a Rússia e a China, o que por vezes se afasta das normas da UE e suscita a indignação de alguns outros países e autoridades europeus. Neste ano, quando a China e a Hungria celebram 75 anos de relações diplomáticas, espera‑se que a visita do presidente Xi reforce as relações sino‑europeias, conferindo estabilidade e dinâmicas positivas ao complexo cenário global. Além disso, a Hungria participa da construção da linha ferroviária de alta velocidade mais longa da Europa, que se estende por cerca de 1.500 km, de Budapeste a Atenas. A Hungria também tem atraído expressivos investimentos de importantes empresas chinesas, como a BYD, líder na fabricação de veículos elétricos, que está instalando uma fábrica no país, e a CATL, um dos principais produtores de baterias.
A Sérvia, país candidato à União Europeia e de pequenas dimensões, situada estrategicamente na encruzilhada entre a Europa Central e o Sudeste Europeu, tornou-se um parceiro importante da Iniciativa Cinturão e Rota da China. Sua posição geoestratégica faz da Sérvia uma porta de entrada para a Europa, especialmente por meio da rota terrestre que visa conectar a Grécia ao coração da Europa. Essa importância estratégica é a principal razão por trás de diversos grandes projetos de infraestrutura no país, como a construção da ferrovia de alta velocidade Belgrado‑Budapeste, um projeto emblemático da Iniciativa Cinturão e Rota. Financiada e construída em sua maioria por empresas chinesas, essa ferrovia foi concebida para aprimorar o transporte de mercadorias da Sérvia para os mercados europeus mais amplos.
Este ano assinala o 15º aniversário das relações bilaterais entre a China e a Sérvia, destacado pela assinatura de uma parceria estratégica abrangente há oito anos, durante a visita do Presidente Xi a Belgrado. A cooperação entre os dois países baseia-se no respeito e no benefício mútuos, promovendo a prosperidade e contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento e a revitalização da Sérvia. Essa parceria é multidimensional e mutuamente vantajosa, abrangendo todas as principais áreas de cooperação.
À medida que as dinâmicas globais se transformam, a parceria estratégica entre a Sérvia e a China continua a fortalecer-se, gerando importantes implicações para a política regional e o desenvolvimento econômico. Essa relação, no entanto, desenrola‑se em meio a um crescente escrutínio por parte da União Europeia, especialmente após a recente investigação antidumping conduzida contra veículos elétricos chineses. Tal investigação reflete preocupações mais amplas quanto à concorrência leal e às práticas de mercado, colocando a Sérvia numa posição singular ao equilibrar seus interesses nacionais com suas aspirações de integração à UE.
Apesar das críticas e da falta de compreensão por parte de Bruxelas, a Sérvia é o primeiro parceiro estratégico abrangente da China na Europa Central e Oriental, e os dois países mantêm uma amizade profunda e sólida. Durante a pandemia de COVID‑19, quando a ausência de solidariedade internacional significativa foi frequentemente evidente, a China e a Sérvia colaboraram estreitamente para salvar vidas.
A iminente visita do presidente Xi a Belgrado reforça ainda mais o vínculo de longa data entre as duas nações. Frequentemente descritos como “amigos de aço”, esse termo reflete não apenas a sólida cooperação no setor siderúrgico, destacada pelo importante investimento chinês na Hesteel Smederevo, mas também a resistente amizade tradicional, que já superou diversos desafios ao longo do tempo.
Existe um potencial significativo para o desenvolvimento de uma parceria estratégica mais profunda e abrangente entre a China e a Sérvia em diversas áreas, tais como inteligência artificial, biotecnologia, saúde e tecnologias da informação. O futuro da cooperação sino-sérvia poderá concentrar‑se de forma expressiva no avanço tecnológico e nas energias verdes, o que não apenas beneficiará ambos os países, como também estará alinhado com os objetivos globais de sustentabilidade. Além disso, após a assinatura do acordo de livre comércio, surgirão novas oportunidades para reforçar a sua amizade estreita e duradoura.
A atual investigação antidumping da UE sobre os veículos elétricos chineses representa, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade para a Sérvia. O desafio reside em lidar com as preocupações da UE quanto à chamada distorção do mercado, potencialmente provocada pelos subsídios chineses, o que poderia afetar o próprio mercado sérvio à medida que este se integra mais estreitamente à UE. Por outro lado, a Sérvia tem a oportunidade de promover a concorrência leal e práticas econômicas transparentes, mitigando possivelmente as preocupações da UE e reforçando a cooperação entre a China e a UE. A relação da Sérvia com a China pode servir de ponte para fomentar uma melhor compreensão e cooperação entre a China e a União Europeia.
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